Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 18/10/2019
O direito de ir e vir consta no artigo V da Constituição de 1988. Todavia, assegurá-lo torna-se um desafio no Brasil hodierno, onde engarrafamentos e transportes públicos ineficientes compõem o cenário de crise na mobilidade urbana.
Segundo o Mundo Educação, os moradores da capital paulista passam o equivalente a 45 dias no trânsito todos os anos. Nesse contexto, além de restringir a locomoção, a mobilidade urbana dificultada desrespeita os direitos do cidadão à saúde e a um meio ambiente saudável: o estresse, as doenças respiratórias desencadeadas pela fumaça e a emissão destes gases, provenientes da queima de combustíveis fósseis, são algumas das consequências dos engarrafamentos enfrentados pelos brasileiros diariamente. Em adição, o tempo perdido pelo trabalhador no deslocamento pela cidade reduz a sua produtividade, o que representa um impacto negativo para a economia do país.
No entanto, tal problemática, que poderia ser resolvida com a ampliação da adesão ao transporte público, esbarra na soberania do automóvel em solo brasileiro, cultuada desde o governo JK. A deficiência dos transportes coletivos, aliada ao apelo consumista da indústria automobilística, contribui para o aumento de veículos particulares nas vias, agravando o inchaço do trânsito.
Portanto, medidas devem ser tomadas para que a mobilidade urbana no Brasil não siga na contramão. Cabe ao Ministério da Infraestrutura produzir planos de mobilidade para as prefeituras, que incluam a integração dos modais de transporte público sem a cobrança adicional pela baldeação, assim como a implantação de ciclofaixas, a fim de diversificar as opções de deslocamento da população, com alternativas mais rápidas e sustentáveis. Além disso, urge ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações promover campanhas de valorização dos transportes público e alternativo, visando fomentar, na sociedade, a consciência para que optem cada vez menos por transitar apenas com carro.