Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 01/10/2019

Em uma sociedade vetusta, eclodia a Revolução Industrial e, consequentemente, a maior fabricação mercantil. Nesse contexto, a disseminação de valores capitalistas influenciaram a política desenvolvimentista de Juscelino Kubistchek e a produção automobilística exacerbada sem uma efetiva estrutura. Persistindo  atemporalmente, a sociedade brasileira vive uma conturbação da mobilidade urbana, já que esta faz-se problemática em todo território nacional. Logo, entre os fatores que contribuem para solidificar este quadro destacam-se: o planejamento citadino ineficiente bem como a grande frota de veículos.

A priori, é evidente a má estruturação das cidades uma vez que problemas relacionados ao tráfego de deficientes, grávidas e idosos são constantemente observados. Sob tal ótica, a teoria do político Clement Attlee -“a democracia não é apenas a lei da maioria, mas a lei da maioria respeitando o direito das minorias”- é violada, pois a ausência de recursos e estruturas voltadas a grupos específicos rompe os direitos constitucionais, como o de ir e vir. Nesse âmbito, o ineficaz investimento e fiscalização estatal se constata nas mínimas rampas, calçadas apropriadas e amplas e, em contrapartida, na supremacia de trajetos íngremes e sem segurança em determinados locais.

Sob outro ângulo, a quantidade exorbitante de automóveis -além dos danos ambientais- ocasiona engarrafamentos e trânsito caótico. Nesse viés, percebe-se que o transporte coletivo brasileiro é arcaico e sofre superlotação, em virtude da ausência de políticas e recursos financeiros voltados para a referida parcela. De maneira análoga, a classe dominada, como diria Karl Marx, constitui uma demanda desproporcional à frota de transporte de massa  devido a falta de investimento no translato público e em outras modalidades. Por conseguinte, a mídia, baseada na campanha do Governo JK, influencia a compra desenfreada de carros em busca de luxo e comodidade, porém causa a obstrução das ruas.

Dessarte, frente a provectos fatores estruturais e consumo automobilístico, a mobilidade urbana é um problema social. Portanto, o Ministério do Transporte e Infraestrutura, como instância máxima dos aspectos translativos, deve adotar estratégias no tocante à quantidade exorbitante de automóveis a fim de obter a redução da frota e aumentar a fluidez nas rodovias. Essa ação pode ser feita por meio de investimentos no transporte coletivo para que o mesmo conforto de um carro esteja presente no ônibus, atraindo mais passageiros. Ademais, faz-se necessário a padronização das calçadas e uma maior fiscalização nos locais referentes aos pedestres para que estes consigam uma locomoção digna. Por fim, a ideia de democracia defendida por Attlee será uma realidade brasileira e os direitos respeitados.