Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 10/10/2019
No Brasil, por volta de 1930, Vargas incentivou a Industrialização que acarretou no processo de urbanização, o qual deu início a formação das grandes cidades e suas primeiras rodovias. Porém, foi anos após isso, no governo Kubischek, que houve um predomínio do modal rodoviário. Atualmente, diante desse sistema, a mobilidade urbana se mostra um desafio, evidenciado não apenas pelo baixo investimento em outros modais, como também pela ineficiência do transporte público.
Inicialmente, verifica-se um grande número de estradas no país, em detrimento de outros meios para transporte. Segundo dados oficiais do governo federal, o sistema rodoviário corresponde a 58% do transporte de carga no Brasil. Nesse contexto, com a chegada de muitas empresas automobilísticas na segunda metade do século XX e investimentos nesse setor, além do aumento da densidade demográfica, houve um crescimento gradativo no número de veículos tanto individuais quanto de carga. No entanto, esse quantitativo crescente prejudica demasiadamente o tráfego urbano, por ter, em alguns locais, apenas as rodovias e estradas como opção, as quais estão comumente congestionadas ou com difícil acesso pelo desgaste da pista, acidentes, manifestações, entre outras situações.
Além disso, a péssima qualidade do transporte público é um entrave para a locomoção nas metrópoles. Nesse sentido, com conduções extremamente lotadas e altas tarifas cobradas, se tornou vantajoso para grande parte da população adquirir transportes individuais, os quais em uma grande cidade como São Paulo, passam por um sistema de rodízio implementado pela prefeitura da cidade com o intuito de minimizar o caos no trânsito local. Além dessa metrópole, outras cidades enfrentam congestionamentos diários - sobretudo em horários específicos - que se devem principalmente à circulação de veículos que realizam o movimento pendular, explicado pela geografia como o transporte rotineiro de pessoas das regiões metropolitanas para a capital e vice-versa. Comprova-se, então, a desvantagem do aumento no número de automóveis decorrente da precariedade do transporte público.
É necessário, portanto, corrigir os erros do passado e superar, por conseguinte, os desafios da locomoção no Brasil. Para isso, o Ministério da Infraestrutura deve transferir parte do investimento destinado ao sistema rodoviário para outros modais, construindo ferrovias, hidrovias e afins que façam a conexão da região sudeste - por ser a mais desenvolvida economicamente - com as demais regiões, a fim de melhorar o transporte no país. Ademais, as prefeituras devem fiscalizar e garantir o transporte público de qualidade e em quantidade suficiente para a demanda, investindo também no uso de metrôs pela agilidade oferecida, o que reduziria a quantidade de automóveis nas cidades. Assim, em médio prazo, a mobilidade não será um desafio.