Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 14/10/2019
O Governo de Juscelino Kubitschek implementou o rodoviarismo no Brasil, incentivando a entrada de montadoras automobilísticas e priorizando os investimentos em rodovias em detrimento de outros modais de transporte. Ademais, é notório que tais ações governamentais interferem na atual sociedade, que enfrenta uma crescente no número de congestionamentos por conta da alta concentração de veículos e ineficiência dos transportes públicos. Com isso, surge a problemática da mobilidade urbana, que decorre, infelizmente, seja pela insuficiência de medidas públicas, seja pelo desenvolvimento do pensamento individualista.
É importante ressaltar, em primeiro plano, que dados de 2012 levantados pelo IBGE, demostram que quase 20% dos moradores de regiões metropolitanas levam mais de uma hora para se deslocarem até o trabalho. Além disso, torna-se fato que o sistema de transporte público é de baixa qualidade, pois muitas vezes não atinge os pontos periféricos das cidades, apresenta superlotação e uma frota antiga. O filósofo Thomas Hobbes defende um estado forte, pois esse é o único capaz de garantir a estabilidade social e fazer com que haja justiça, em analogia a esse pensamento evidencia-se a necessidade da criação de medidas públicas por meio da força do estado, a fim de melhorar o descolamento urbano.
Vale mencionar, em segundo plano, que o número de veículos nas vias urbanas tem aumentado e que a grande maioria circula apenas em sua capacidade mínima, ou seja, com uma única pessoa. O pensador Zygmunt Bauman conceitua que estamos em uma modernidade líquida, com isso é notável que as relações antrópicas estão cada vez mais efêmeras e individualistas. Em paralelo a isso, observa-se que esse estilo de vida em que o pensamento coletivo é deixado de lado e o indivíduo prioriza ações de cunho privado, faz com que mais pessoas utilizem veículos particulares, aumentando o número de carros em circulação gerando engarrafamentos.
Infere-se, portanto, que o Ministério da infraestrutura, em parceria com os municípios, devem desenvolver um planejamento sobre mobilidade urbana, que priorize o transporte público, visando corrigir as falhas desse serviço, outrossim as secretarias de transporte devem fiscalizar e acompanhar a implementação dessa medida, com a finalidade de garantir a adesão e seu pleno funcionamento. Somado a isso, o Governo Federal deve promover em todos os meios midiáticos campanhas que alertem sobre os transtornos à mobilidade que o uso de veículos particulares pode causar, para assim conscientizar a população e incentivar a utilização de transporte coletivo e meios alternativos, como bicicletas, patinetes entre outros.