Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 16/10/2019

Ao longo do século XX, a indústria automobilística implantou o fordismo, modelo que caracteriza a produção em massa, o que ocasionou o aumento de carros nas cidades. Entretanto, o novo sistema produtivo foi adequado à flexibilização do consumo, atendendo às necessidades do consumidor. No contexto brasileiro, a valorização de automóveis trouxe consequências para a mobilidade urbana no país, marcada pela carência de infraestrutura e exaltação do carro como status social.

Em primeiro plano, vale ressaltar o período desenvolvimentista de J. Kubitschek, que financiou o transporte rodoviário nacionalmente. Dessa forma, com os investimentos voltados para o rodoviarismo, o setor ferroviário carece de infraestrutura, ainda que seja um dos modelos mais sustentáveis e rápidos. Em contrapartida, nota-se progresso pelo modelo adotado em Hong Kong, onde metrôs são o transporte coletivo priorizado pelo governo, com integrações em todo o território. Além disso, a falta de acessibilidade para deficientes salienta o retrocesso estrutural e social, uma vez que não há rampas ou vagões exclusivos.

Em segundo plano, a posse de carro para ascensão do status social eleva a quantidade de automóveis nas urbes, contribuindo para a emissão de gases poluentes na atmosfera. Sob esse viés, a precária mobilidade impulsiona o tráfego intenso, que propicia a violência no trânsito. Isso, consente com a perspectiva de A. Schopenhauer, na qual o homem toma os limites do próprio campo de visão como os limites do mundo, evidenciando a impaciência do indivíduo no congestionamento urbano.

Em suma, o governo deve promover a adoção da flexibilização do consumo supracitada, todavia, não somente às necessidades capitalistas, mas também sociais. Para isso, cabe ao Ministério do Desenvolvimento Regional executar reformas no planejamento do transporte, com investimento no setor ferroviário, por intermédio da arrecadação do dinheiro dos pedágios, obras públicas serão realizadas para a integração de metrôs e trens no território brasileiro, com rampas de acessibilidade para deficientes. De valor símil, urge o aumento de ciclovias nas cidades e tais adaptações terão o intuito de melhorar a administração da mobilidade urbana no Brasil.