Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 20/10/2019

Desde o governo de Washington Luís, com o lema “governar é abrir estradas”, perpassando pela política “rodoviarista” de JK, até os dias atuais, a conjuntura da mobilidade urbana brasileira apresenta uma série de problemas a serem enfrentados. Sob esse viés, embora apresente alguns avanços, o cenário nacional ainda se encontra marcado pela baixa diversidade dos modais, além da precarização dos meios de transportes coletivos e da ausência de um planejamento urbano mais acessível. Nesse sentido, é indispensável o debate a respeito do tema, além de políticas públicas assertivas com o intuito de mitigar essa conjuntura.

Em primeira análise, é indubitável que a tratativa histórica acerca da política de transportes é o principal fator na consolidação dos problemas enfrentados atualmente. Outrossim, os incentivos fiscais e mercadológicos direcionados ao comércio de automóveis gerou uma difusão descontrolada de carros em detrimento dos outros meios de trasporte, o que evidencia pesquisa publicada pela Fundação Getúlio Vargas, segundo a qual, entre os anos de 2006 e 2016, a frota de veículos na cidade de São Paulo aumentou em 400 %. Por conseguinte, esses dados revelam uma preocupante perspectiva, o que ressalta a premente necessidade de medidas de enfrentamento.

Em segundo plano, é evidente que todos os aspectos de mobilidade estão intrinsicamente vinculados ao planejamento urbano. Assim, apesar de assegurado o direito de ir e vir no texto da Constituição Cidadã, promulgada em 1988, o que se verifica, hodiernamente, é o que Milton Santos, geógrafo brasileiro, apontava como uma urbanização “às avessas”, onde a cidade se desenvolve com base na dinâmica veicular e nas possibilidades do tráfego. Nesse diapasão, é imperioso uma alteração de paradigma, colocando o pedestre como elemento norteador dessas políticas, o que pode ser alcançado com medidas voltadas para a coletivização dos espaços no trânsito.

Depreende-se, portanto, a necessidade de enfrentamento dos problemas inerentes à mobilidade urbana no Brasil. Para isso, urge que o Ministério da Infraestrutura, em ação conjunta com os governos estaduais e as prefeituras, promova melhorias e a compra de novos aparelhos de transportes coletivos, como ônibus e metrôs, além da construção de ciclovias. Ademais, é mister a realização de parcerias com a iniciativa privada, atrelando o uso contínuo desses transportes a descontos e premiações, com o fito de incentivar o uso pela população. Dessa maneira, a mobilidade urbana brasileira tornar-se-á sinônimo de eficiência, rompendo com o ciclo histórico marcadamente deficitário.