Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 21/10/2019

O trânsito centra-se no cotidiano da vida de milhares de brasileiros. De acordo com o Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística-IBOPE, a maioria dos cidadãos paulistanos passam, em média, o equivalente a 45 dias por ano no trânsito. Logo, a capital de São Paulo, como objeto de estudos, explana os dois principais problemas de muitas cidades no país: a demanda muito grande de carros e pouca oferta de transporte público de qualidade.

Tendo em vista excessivos carros nas ruas, a causa seria o consumo desenfreado. De acordo com o Doutor de sociologia urbana Martins Gagner, no Brasil, existe uma tradição de privilegiar o automóvel em detrimento do transporte público. Contudo, a ideia de ser ter um carro é constatada como um objeto de poder de consumo e associado ao status de alta classe. Em paralelo, o uso de transporte público é visto, na maioria das vezes, como pouco poder aquisitivo e de classe baixa, visto que, em grande parte de mídia, é disseminada essa ideia.

Em contrapartida, essa mentalidade de consumo não está apenas ligada ao status, mas, é justificada com base que transporte público se encontra com baixos investimentos do Estado. Segundo a pesquisa realizada pela Ideia Big Data, 57% dos entrevistados consideram o transporte público de péssima qualidade. Portanto, a escolha de possuir um veículo particular está também, potencialmente, associados às más condições dos transportes.

Por consequência, a falta de investimentos no setor de transportes afeta as camadas mais pobres da sociedade, abrindo outro leque de desigualdades. Sendo que, os indivíduos que possuem um automóvel, tem ampla locomoção, tanto de movimentação a trabalho, como acesso à áreas de lazer. E os que utilizam o transporte público, estão limitados, por falta de frotas de ônibus e a habitual insegurança pública, principalmente, nos pontos de ônibus.

Diante dos fatos, é de grande foco do Poder Público Municipal junto aos Órgãos do sistema nacional de trânsito, lidar com problemas na infraestrutura e auxiliar no desenvolvimento de frotas, investindo na obtenção de novos veículos públicos e transportes alternativos, como os metrôs, para que haja fluidez e conforto. Além disso, é dever do Ministério da Comunicação trabalhar com ideias que estimulem o uso de transportes coletivos e o uso de bicicletas, difundindo nos meios de comunicação através de propaganda educativas, para que seja desfeito o conceito atribuído ao uso de tais como algo inferior.