Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 22/10/2019
Em 1928, ao inaugurar a primeira rodovia asfaltada do país, o então presidente Washington Luiz concretizou sua célebre frase “governar é abrir estradas”. Posteriormente, ao longo do Governo JK, a indústria automobilística inseriu-se fortemente no dia a dias das famílias brasileiras ao criar a cultura do consumismo desenfreado, no qual o carro passa a ser objeto de status social. Sob essa conjuntura, percebe-se que esse ideal se encontra intrinsecamente ligado a realidade hodierna do Brasil, vistos os inúmeros problemas de mobilidade urbana no país. Assim, hão de ser analisadas as causas e consequências dessa problemática a fim de liquidá-las de maneira eficaz.
A priori, é imperioso destacar que os desafios da mobilidade urbana no Brasil é fruto do despreparo político-estrutural. Para Karl Marx, o capitalismo prioriza o lucro em detrimento dos valores. De maneira análoga à afirmativa do filósofo, percebe-se que o Estado não preparou as grandes metrópoles brasileiras, no que diz respeito à obras públicas, para o grande contingente de carros atual, gerando, assim, um intenso fluxo de veículos ao longo de todo o dia. Tendo isso em vista, tal infortúnio não afeta apenas o trabalhador que perde horas no engarrafamento, como atinge diretamente a economia brasileira, visto que esse tempo perdido poderia ser convertido em horas laborais, as quais regariam renda e empregabilidade nacional.
Outrossim, é imperativo destacar os efeitos nocivos que a intensa frota de veículos causa ao meio ambiente. Sob a perspectiva do filósofo Goldberg, o homem relaciona-se com os lugares públicos sob uma visão imperialista de dominação. Acerca disso, é possível relacionar a constante retirada da cobertura vegetal nativa das grandes cidades para dar lugar a rodovias, bem como a constante emissão de poluentes atmosféricos, derivados, sobretudo, dos combustíveis fósseis usados como gerador de energia pelos motores dos carros, fator que agrava os impactos ambientais como o efeito estufa e a chuva ácida. Desse modo, é conveniente a mudança do arcaico pensamento social, visto que, na contemporaneidade, há meios de associar crescimento econômico com conservação ambiental.
Portanto, é mister que o Estado tome iniciativas para minimizar os desafios da mobilidade urbana no Brasil. Para amenizar o tempo gasto pela população diante do congestionamento nos grandes centros urbanos, urge que o Governo Federal, em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Regional, aumente a malha cicloviária nas rodovias, bem como aposte na realização de rodízios de veículos, por meio de um projeto de reestruturação urbano eficiente. Além disso, é cabível a realização de propagandas em mídias sociais que promovam uma responsabilidade social acerca dos impactos ambientais derivados dessa problemática. Desse modo, pode-se garantir um Brasil, de fato, respeitável.