Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 23/10/2019

A atitude Blasé,nomeada pelo sociólogo alemão e estudioso da vida urbana, George Simmel,é uma atitude de total indiferença quantos aos problemas sociais e a não sensibilização com quem deles padece.Nesse contexto,Blasé parece ser a resposta de porque a mobilidade urbana enfrenta tantos desafios no Brasil,visto que cada pessoa locomove-se conforme o que lhe favorece sem pensar nos outros.Dessa forma,o boicote aos transportes coletivos e o pouco estímulo governamental às redes multimodais,são dilemas que precisam ser resolvidos para que a mobilidade urbana ocorra de forma eficiente.

Destaca-se de início,que há um pensamento distorcido e preconceituoso de que o transporte público foi feito para classes sociais inferiores.Contudo,não há dúvidas de que classes sociais não se diferem pelo uso de coletivos,mas,infelizmente,essa ideia ficou enraizada na população,pois na década de 50,no governo de Juscelino Kubitschek,ter um automóvel no Brasil era status social.Diante do exposto,é imprescindível que ocorra a mudança de hábitos culturais,para que valorizem os transportes públicos oferecidos e a partir disso exijam sua qualidade dos setores governamentais responsáveis.Ademais,os meios públicos de locomoção,mesmo precários e com falhas,ainda são a melhor escolha para o cotidiano de uma cidade que possui mobilidade eficiente e disponível para todos.

Ademais,para o ambiente urbano estar disponível e acessível para todos,é preciso uma rede integrada e multimodal que atenda as necessidades de deslocamento.Quando existe um sistema de integração modal eficiente, os passageiros ganham mais acesso à cidade, pois não há sobrecarga de um só tipo de transporte. Entretanto,é preciso que a sociedade esteja disposta a intercalar os meios para benefício coletivo e que envolva-se na resolução do problema público de mobilidade urbana.Uma vez que,segundo Sartre,filósofo francês,o ser humano é livre e cabe a ele escolher seu modo de agir,logo recai sobre o homem o compromisso com esse dilema social.

Infere-se portanto,que a mobilidade urbana será eficiente quando ocorrer a união de população e ações governamentais.Urge então que,o Ministério da Economia direcione maiores investimentos aos transportes e vias públicas,utilizando verbas advindas de multas de trânsito,especialmente para esse fim.Sendo assim,o investimento deve ser suficiente para criar um sistema que,em todas as cidades, interligue ônibus, metrô, trens de superfície, ciclovias e áreas para estacionar bicicletas, motocicletas e carros,a fim de que não falte incentivos aos cidadãos para utilizá-los.Assim,caberá a sociedade mudar o conceito sobre meios de locomoção públicos e que a mobilidade urbana depende das atitudes individuais diárias,as quais devem ser contrárias a atitude individualista descrita por Simmel.