Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 01/11/2019

O Brasil, no governo de Juscelino Kubitschek, vivenciou mudanças significativas, com o alargamento da política rodoviária para facilitar a integração do país. No entanto, na contemporaneidade, essas alterações não tiveram continuidade de forma planejada, fazendo com que o país enfrente cada vez mais, problemas relacionados à mobilidade urbana. Nesse sentido, a falta de investimento em infraestrutura e a imprecisão na versatilidade de meio de transportes acentuam a problemática.

Em primeiro lugar, deve-se entender que a urbanização rápida e desenfreada culminou na defasagem da locomoção. Tal fato justifica-se, pois existe um grande contingente de pessoas que usam o transporte público desproporcional ao número de veículos disponibilizados pelo Estado, acarretando assim péssimas condições para o usuário. Exemplo disso, é o metrô da linha vermelha de São Paulo, que transporta 7,5 passageiros por metro quadro, de acordo com pesquisa feita pelo G1. Em consequência dessa superlotação, o indivíduo com um poder aquisitivo acessível à compra de um automóvel prefere o transporte individual, o que ocasiona um trânsito caótico com engarrafamentos quilométricos, e para os que não têm essa condição financeira, continuam sofrendo pelo estresse e a má qualidade do sistema público.

Sob um segundo enfoque, vale ressaltar que, além de o serviço não ser de excelência, ele também é excludente. A dificuldade de locomoção dos portadores de necessidades especiais, por exemplo, mantém relação íntima com a acessibilidade, que por sua vez está diretamente ligada à mobilidade urbana. Na cidade de São Carlos, segundo um levantamento realizado em 2004, apenas 20% da frota de ônibus era adaptada para cadeirantes. Dessa forma, fica claro que essa insuficiência afeta a população como um todo em vários níveis. Além disso, os pontos de serviços básicos de educação e cultura ficam longes de onde mora parte da população. Ou seja, é necessário atenção a questão da mobilidade urbana e democratização do acesso às cidades, para que a necessidade de deslocamento em longas distâncias diminua e a qualidade de vida melhore.

Portanto, é imprescindível que as concessionárias de transporte público melhorem a qualidade de seu serviço. Para isso, é essencial que o Governo aplique as verbas destinadas aos transportes na sua manutenção e acessibilidade e invista em projetos de mobilidade urbana e obras nas cidades, garantindo assim uma reestruturação e adaptação dos meios e demais vias de locomoção. Cabe à sociedade ficar atenta ao que é seu por direito e não esquecer o que as “Manifestações dos 20 centavos” representaram, reivindicando perante as autoridades responsáveis justiça nas taxas e prestações desses serviços, fazendo valer o que está escrito na Constituição.