Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 01/11/2019

No século XX, o Brasil passou de um país agrário para urbano, de modo que essa urbanização foi feita de forma desordenada. Nesse contexto, a mobilidade urbana brasileira apresenta ruas incapazes de receber grandes volumes de automóveis e um governo que favorece o transporte particular ante ao público. Diante disso, medidas, que busquem modernizar as ruas brasileiras e aumentar a utilização do transporte público, precisam de ser estabelecidas, antes que o trânsito nas ruas brasileiros se transforme em um problema de caos público.

Em primeira análise, a formação das cidades brasileiras favorece a formação de trânsito. Segundo Boris Fausto, historiador, a chegada de novos habitantes para as cidades, devido à Lei de Terras, foi propícia para a formação das atuais favelas e de vielas. Desse modo, verifica-se, principalmente, nas áreas urbanas antigas e nos interiores, ruas estreitas e incapazes de suportar um grande volume de tráfego de veículos. Isso também reflete nas grandes cidades brasileiras, pois a existência desse tipo de rua atrapalha as saídas das grandes avenidas, as quais, nesse caso, aumentam a chance de apresentarem engarrafamento. Assim, fica evidente que o processo de formação dos municípios brasileiros tem seu peso no tempo que cada cidadão passa no trânsito.

Outrossim, o País não apresenta uma política pública voltada a utilização de transporte público. De acordo com reportagem publicada na revista Veja, o governo brasileiro, na primeira década do século XXI, utilizou de isenção do imposto IPI, - que é incidido sobre produtos industrializados - sobre os carros, como forma de fomentar crescimento da indústria automobilística do Brasil. Como consequência, houve um aumento nas vendas dos veículos automotores, evidenciando que os governantes brasileiros não têm como foco o transporte público, o que é extremamente maléfico para a mobilidade urbana, pois 1 ônibus cheio transporta a mesma quantidade de pessoas que 54 carros particulares.

Diante dos fatos supracitados, indubitavelmente, ruas mal projetadas e favorecimento do transporte particular por parte do governo são fatores maléficos à mobilidade urbana brasileira. Diante disso, o Estado deve aumentar os investimentos nos transportes públicos, por meio da separação de uma maior porcentagem do orçamento público à essa questão, como forma de aumentar a qualidade dos ônibus e realizar a criação de novas linhas de metrô. Ademais, os governos municipais devem reformar as ruas, melhorando a qualidade dessas e alargando as que forem possível. Com essas medidas, busca-se que a mobilidade urbana brasileira se desafogue, diminuindo o número de horas que os cidadãos brasileiros passam presos ao trânsito. Somente assim o desafio da mobilidade urbana brasileira será superado.