Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 15/02/2020

O trânsito no Brasil está ficando mais caótico a cada dia, principalmente nos grandes centros urbanos, impactando diretamente na mobilidade urbana. A principal causa desse problema é o aumento do número de veículos automotores individuais (carros). Por isso, os meios de transporte coletivo, aliados ao uso de bicicletas, apresentam-se como possível solução ao desafio de mudança desse cenário.

Na década de 1950, no governo do presidente Juscelino Kubitschek, houve grande investimento na implantação e desenvolvimento da indústria automobilística. Essa política econômica teve continuidade nos governos seguintes por meio de incentivos ao mercado consumidor, que, somada ao crescimento do poder aquisitivo da população de classe baixa e média, favoreceu o aumento de carros em circulação. Inicialmente visto como indicador de progresso econômico do país e incremento na qualidade de vida das pessoas, com o passar do tempo, o carro passou a ser considerado em entrave no cotidiano do brasileiro; se antes permitia o ganho de tempo nos deslocamentos e aproximava pessoas distantes, hoje exerce função reversa.

Como alternativa eficaz ao uso do carro, tem-se os meios de transporte coletivo, dada sua capacidade de transporte em relação àqueles. Enquanto um ônibus pode transportar até 80 passageiros nos horários de trânsito mais intenso e ocupa o espaço de dois carros, estes transportam apenas 14. Essa vantagem é ainda maior em se tratando de transporte em massa, como trens e metrôs. Dessa forma, sobraria mais espaço nas vias, que poderia ser utilizado para expandir a quantidade de ciclofaixas, com o consequente aumento de pessoas fazendo uso da bicicleta. Essas práticas já foram adotadas há tempos nos países desenvolvidos.

Portanto, perante o atual cenário caótico do trânsito brasileiro, antes que se torne um caos total, os governantes precisam, urgentemente, investir em políticas públicas para aumento da rede pública de transporte coletivo e estabelecer mecanismos de contenção da produção de automóveis; ou, tendo em vista que a indústria automobilística afeta sobremaneira a economia do país, tal serviço público poderia ser privatizado. Com isso, os resultados seriam imediatos; menos gás carbônico na atmosfera, poluição sonora, vítimas de acidentes, e mais qualidade de vida às pessoas, espaços públicos de interação e lazer, entre outros.