Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 15/03/2020
No curta-metragem “Felicidade”, de Steve Cutts, é evidenciado uma sociedade ratos, a qual se assemelha à humana hodiernamente. Nele, o personagem principal passa boa parte de sua vida visando ter um carro próprio, porém, ao realizar esse desejo, deparou-se com a ilusão do movimento na grande cidade na qual vive, isto é, com inúmeros engarrafamentos estressantes, o que transformou seu sonho em uma utopia qualquer. Analogamente à alegoria de Cutts, observa-se, nos dias de hoje, um grave problema referente à mobilidade urbana no país: o baixo uso de transportes públicos, o que, importunamente, incita o inchaço urbano pelo excesso de automóveis.
Cabe ressaltar, em primeiro plano, que a desvalorização crescente dos meios de locomoção públicos agrava a problemática. Isso foi, em 2019, ressaltado em uma reportagem do Fantástico, a qual prova que, dentre os entrevistados, 92% optam diariamente por utilizar carros pessoais ou serviços privados, como o “Uber”, em detrimento de ônibus e metrôs, para se locomover em São Paulo. Desse modo, tendo em vista que o transporte público é capaz de levar mais pessoas em menos espaço, se os cidadãos usam majoritariamente automóveis e serviços individuais, o movimento em grandes centros urbanos torna-se cada vez mais ineficiente, o que urge imediata ação do Governo na dissolução dessa conjuntura.
Por conseguinte, enquanto esse panorama perdurar, o número exacerbado de carros nas ruas promove o inchaço urbano. Nesse sentido, considerando o pressuposto da reportagem, quanto mais carros nas ruas, para o transporte individual, mais lenta e travada será a mobilidade urbana no país. Destarte, embora o uso de automóveis é, de certa forma, mais confortável, as pessoas passam, de acordo com o IBGE, em torno de 2 horas diárias no percurso até o trabalho, o que é consequência do inchaço urbano. Sendo assim, é mister uma intervenção estatal, a qual vise dinamizar o movimento nas cidades.
Infere-se, portanto, visto a tempestividade da problemática, que é dever do Estado, por meio de verbas governamentais, incentivar o uso de transportes públicos no Brasil, investindo na qualidade, eficiência e acessibilidade destes: metrôs e ônibus, com o objetivo de equiparar tais serviços aos privados, o que tornará fluido o movimento nas grandes cidades. Somente assim observar-se-iam centros urbanos dinâmicos e eficientes, atenuando a atual problemática da mobilidade urbana que reflete a metáfora dos ratos de Steve Cutts.