Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 20/04/2020

A canção “Que país é esse?”, escrita por Renato Russo, denota em seus versos traços de uma nação deturpada, a qual emergiu sem planejamento urbano nem social. Fora da ficção, o Brasil apresenta um semelhante cenário caótico, uma vez que há empecilhos na mobilidade urbana do país, não só devido à dependência do modal rodoviário, mas também pela ineficiente estrutura do transporte público. Convém, portanto, analisar de forma crítica essa problemática.

É relevante elencar, a princípio, que o governo de JK baseou-se no lema “50 anos em 5”, em que houve a implantação da malha rodoviária brasileira como forma de priorizar a compra de automóveis, os quais atuavam como “status social”. Nesse contexto, observa-se que em países de grande extensão territorial emprega-se a malha ferroviária, já que essa demanda menos gastos e uma logística eficaz. Entretanto, ao dar preferência às rodovias, JK gerou, por conseguinte, uma concentração de caminhões e de carretas nas estradas, os quais impedem a fluidez do trânsito. Dessa maneira, a greve dos caminhoneiros, que ocorreu em 2018, demostrou a verdadeira proporção na qual o Brasil é submisso às rodovias no quesito de abastecimento nacional, fazendo-se necessária a diversificação dos modais.

Paralelo a isso, embora seja dever da Constituição Cidadã de 1988 garantir o direito de ir e vir a todos perante à lei, na prática, tal isonomia não é concretizada. Sob essa ótica, por mais que seja responsabilidade do governo assegurar um transporte de qualidade aos cidadãos, é perceptível que  os indivíduos pagam um preço incompatível para o serviço que recebem, visto que dentro de ônibus ou de metrôs as pessoas são assaltadas, violentadas, além de chegarem atrasadas ao seu destino. Isso, então, faz com que elas optem pelo transporte individual, em que 80% daqueles entrevistados pela  “Veja” alegaram ir para o trabalho de carro por receio ou insatisfação de usar o transporte coletivo.

Enfim, com o intuito de que a música “Que país é esse?” deixe de representar a realidade brasileira, medidas são necessárias. A priori, urge que o governo, em sincronia com o Ministério Público - cuja função é fiscalizar as realizações governamentais - amplie a malha ferroviária brasileira, ao instaurar trens modernos, de qualidade e com preços acessíveis que irão integrar toda a logística do país.  A posteriori, isso só será possível por meio de verbas destinadas a construção de tais ferrovias, a fim de amenizar a dependência das rodovias, além de  funcionar como um meio de transporte de ponta, ao romper os desafios da mobilidade urbana brasileira.