Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 11/05/2020

Promulgada em 1948 pela ONU (Organização das Nações Unidas), a Declaração Universal dos Direitos Humanos garante a todos os indivíduos o direito à livre locomoção no território nacional e ao bem-estar social. Conquanto, o cenário atual provocado pela ineficiência do deslocamento nas cidades brasileiras impede que isso aconteça na prática. Sob esse aspecto, convém analisarmos as principais causas, as consequências e a possível solução relacionada a esse desmonte em nossa sociedade.

Primordialmente, podemos entender o aumento exponencial da aquisição de automóveis individuais como principal incentivador do problema. Isso só foi possível com a facilidade promovida pelos bancos na obtenção de créditos e com a comodidade oferecida pelas distribuidoras de carros no financiamento dos veículos. Segundo os dados do Observatório das Metrópoles, entre os anos de 2002 e 2012, observou-se um aumento aproximado, no Brasil, de 12% na população enquanto que o número de automóveis aumentou para quase 140% - resultando numa razão de um carro para cada dois habitantes no país. Consequentemente, sobrecarregando o espaço das vias públicas e limitando o fluxo das cidades.

Ademais, o estresse e o congestionamento do trânsito é um reflexo da falta de mobilidade urbana nas cidades do Brasil e estão diretamente ligados a falta de planos de locomobilidade. Diante disso, consequências como acidentes, muitas vezes fatais, se tornaram comuns no dia a dia do brasileiro. Segundo os dados do Ministério da Saúde, em 2018, aproximadamente 40 mil pessoas morreram em decorrência de acidentes de trânsito - fato que vem aumentando ano após ano. Nessa perspectiva, é evidente que existem desafios no tocante ao tema, logo, entidades competentes devem tomar medidas necessárias para reverter o quadro atual.

Portanto, é mister que o Estado tome providências para mitigar tal impasse. A fim de diminuir os congestionamentos e, consequentemente, a redução do número de óbitos no país, urge que o Poder Executivo promova a diminuição de carros particulares, através da implantação de ciclovias e a adoção de rodízios veiculares. Além disso, a mídia deve promover campanhas que conscientizem a população sobre o uso de bicicletas e de transportes públicos nos dias agradáveis em vez de carros. Somente assim, tornar-se-á possível a construção de uma sociedade permeada pela efetivação dos elementos elencados na Declaração Universidade dos Direitos Humanos.