Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 13/05/2020

A Google, recentemente, em seu software geolocalizador “Google Maps”, instaurou um sistema que permite usuários compartilharem informações acerca da fluidez das rodovias, de modo que outras pessoas possam, com tais dados, evitar trajetos truncados. Nesse contexto, no Brasil, pode-se afirmar que esse é um dos recursos mais utilizados pelos cidadãos não só pois é conveniente, mas, sobretudo, pois a mobilidade urbana é uma mazela notória no país. Dessarte, aponta-se a exacerbada compra de automóveis como a principal razão da problemática, a qual incita indivídos, cada vez mais, estressados.

Primeiramente, afirma-se que a compra de veículos preenche uma expectativa contemporânea: igualar-se aos outros. Para depreender melhor, cabe ressaltar o curta-metragem “Felicidade”, de Steven Cutts. Com ele, o produtor denuncia o ímpeto consumista atual atrelado à busca da felicidade, a qual, para o protagonista - um rato -, deveria aparecer ao se ter os mesmos bens que os demais, o que foi elucidado em seu caráter consumista indiscriminado. Nessa óptica, reflete-se a sociedade brasileira atual, a qual, assim como o rato de Cutts, busca, na compra de automóveis, respaldar seus anseios.

Por conseguinte, enquanto essa idiossincrasia perdurar, observa-se uma população tensa em virtude do caos oferecido por engarrafamentos. Isso, pois,como muitas pessoas se expõem diariamente ao trânsito, até mesmo a poluição sonora se torna uma intempérie prejudicial. Conquanto tal ocorra, mormente, em metrópoles, é um panorama que abrange grande parcela de indivíduos, os quais, conforme as métricas do livro “Manual do Arquiteto”, enfrentam de 70 a 90 decibéis constantes todos os dias. Logo, é notório o efeito degradador da ínfima mobilidade urbana, no Brasil, aos cidadãos, relaacionado ao estresse.

Portanto, visto a intempestividade da problemática, infere-se a imperiosidade em dissolvê-la para garantir maior fluidez urbana junto de maior qualidade de vida. Para tanto, compete ao Estado, na figura do Ministério da Infraestrutura, o dever de - enquanto instância deliberativa máxima acerca das rodovias do país -, por meio de verbas governamentais, investir em mais espaço útil para carros e, concomitantemente, em campanhas que enalteçam o uso de outros meios de locomoção, a fim de assegurar fluidez às rodovias e menos impasses aos cidadãos. Desse modo, observar-se-ia uma população que se desvencilha da necessidade em compartilhar dados sobre o “status” das rodovias da nação, de modo a dissonar dos entraves estressantes dos engarrafamentos.