Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 21/05/2020

O direito de ir e vir sem transtornos é previsto pela Constituição de 1988 e considerado inalienável. Entretanto, não é oferecido de forma apropriada á população. Por conta de problemas estruturais e desigualdade social, a qualidade da mobilidade urbana no Brasil encontra-se em franca queda. Cabe, portanto, pontuar os pilares que sustentam essa mazela.

A priori, entende-se que a mobilidade urbana é um fator de suma importância para o desenvolvimento de uma sociedade. Porém, a ineficácia na estruturação e disponibilidade de transporte público afeta a qualidade de vida dos usuários. A exemplo da estação da Sé, em São Paulo, que apresenta em horários de pico condições insustentáveis de uso, como falta de ventilação e superlotação de vagões. Nesse sentido, a população - que depende desse meio de transporte - é deixada à mercê de um sistema estruturalmente precário.

Outrossim, a desigualdade social também possui papel nos desafios da mobilidade urbana no país. Regiões periféricas das grandes cidades contam com poucas frotas de ônibus e linhas de trens, o que dificulta a locomoção. Segundo o portal online “Minha Quebrada”, moradores do extremo leste da capital paulista passam cerca de quatro horas de seu dia dentro do transporte coletivo. Desse modo, tal dado reflete a condição excludente desses indivíduos, que corrobora a desigualdade e cria um abismo que necessita ser transposto.

Em síntese, infere-se que os desafios da mobilidade urbana no Brasil exigem esforços coletivos. Cabe aos governos das Unidades Federativas, através de parcerias público-privadas, a implementação de sistemas de ventilação nas estações, com o intuito de melhorar o ambiente para os usuários. Ademais, as prefeituras dos grandes centros urbanos, por meio da correta aplicação de impostos, devem promover o aumento do número de ônibus e linhas de metrô nas periferias, a fim de mitigar a desigualdade que acomete essas regiões. Por intermédio dessas medidas, aquilo que é previsto na Carta Magna poderá ser aplicado com plenitude na sociedade.