Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 27/05/2020

“Mobilidade ou Imobilidade?”

Após a Segunda Guerra Mundial, as fábricas automotivas começaram a investir no Brasil, trazendo um novo meio de locomoção ao país. No decorrer dos anos os automóveis foram se transformando, passando a ser o meio de deslocamento de milhares de pessoas. No entanto, percebe-se a irresponsabilidade da sociedade no que concerne à questão da direção da mobilidade urbana no Brasil, uma vez que faz-se o uso inconsciente dos mesmos. Diante dessa perspectiva, percebe-se a consolidação de um grave problema, em virtude da precariedade de infraestrutura e a falta de debates sobre o uso decente.

Em primeiro plano, evidencia-se que a falta de suporte é um grande responsável pela complexidade do problema. A filósofa alemã Hannah Arendt defende que o espaço público seja preservado para que se assegurem as condições da prática da liberdade e da manutenção da cidadania. Ou seja, sem uma infraestrutura que possibilite uma livre locomoção dos cidadãos, os mesmos são prejudicados, seja pelo “engarrafamento” ou estradas de má qualidade. Esse aspecto está presente de maneira decisiva no que tange à problemática da mobilidade urbana brasileira, uma vez que a maioria que dos motoristas estão nas estradas em função de seus trabalhos, o que acaba por dificultar sua resolução.

Outro ponto relevante, nessa temática, é a falta de conscientização por meio de debates. Nesse sentido, Habermas traz uma contribuição relevante ao defender que a linguagem é uma verdadeira forma de ação. Desse modo, para que um problema como o do deslocamento urbano seja resolvido, faz-se necessário debater sobre, a fim de que haja consciência sobre a mobilidade sustentável desde já, com o uso de bicicletas e transportes coletivos. No entanto, percebe-se uma lacuna no que se refere a essa questão, que ainda é muito silenciada. Assim, trazer à pauta esse tema e debatê-lo amplamente aumentaria a chance de sabedoria do uso sábio e da preservação do meio em que vivemos.

Portanto, para que a ineficiência do deslocamento urbano deixe de fazer parte da realidade brasileira, medidas precisam ser tomadas. Faz-se necessário, dessa maneira, que os governos estaduais, em parceria com as prefeituras, passem a focalizar o investimento em infraestrutura para questões urgentes, como a da locomobilidade. Havendo este maior direcionamento de verba, a infraestrutura do espaço público pode ser melhorada e, consequentemente, a qualidade de vida dos cidadãos, que passarão a usufruir mais intensamente do ambiente comunitário para realizar suas atividades cotidianas com maior eficiência e consciência. Dessa maneira, é possível que a desordem da mobilidade urbana permaneça no passado brasileiro.