Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 07/06/2020
‘’É livre a circulação no território nacional em tempo de paz’’. O trecho presente no Art. 5º da Constituição Federal pode ser relacionado ao modo como deveria se dar a relação do indivíduo com a mobilidade urbana no Brasil contemporâneo. Nesse sentido, a problemática da mobilidade urbana no Brasil é visível nas dificuldades enfrentadas pela população quanto ao acesso à cidade. Isso de deve, sobretudo, à ineficiência do planejamento urbano e ao aumento na compra de carros.
Em primeiro plano, é indubitável que a ineficiência do planejamento urbano no Brasil é um dos desafios da mobilidade urbana. Segundo o Relatório Calçadas do Brasil 2019 os 27 estados brasileiros ocupam os postos de ruim e regular no tocante a infraestrutura das calçadas. Tendo isso em vista, observa-se que os transeuntes enfrentam barreiras para se locomover a pé, uma vez que as calçadas, devido ao seu mau estado de conservação, oferecem riscos a integridade física. Assim, vê-se também que o país não está preparado para oferecer como possibilidade de deslocamento diário as bicicletas, que são meios de transporte sustentáveis, pois ainda que a malha cicloviária tenha crescido 133% em 4 anos, segundo um levantamento feito pela GloboNews e prefeituras dos estados e DF, a estrutura das cidades são cada vez mais adequadas a circulação de carros.
Outrossim, o aumento na compra de carros também é um fator preponderante quanto as dificuldades da mobilidade urbana. Segundo o SINDIÔNIBUS em horário de pico 1 ônibus consegue alocar, em média, 80 pessoas, ocupando o espaço de 2 carros. O uso de transportes públicos é uma alternativa ao deslocamento nas cidades, entretanto a sua precariedade e o aumento abusivo do valor das tarifas faz prevalecer o desejo da população em adquirir veículos particulares o que, segundo o DETRAN, não é um fato positivo, pois hoje há 1 cara a cada 4 habitantes. Esse dado estatístico está diretamente ligado ao aumento dos congestionamentos nas cidades e ao elevado índice de emissão de Monóxido de Carbono, gás tóxico e inflamável prejudicial à saúde das pessoas e do planeta.
Pela observação dos aspectos analisados, tal conjuntura precisa ser alterada. Fazendo valer a máxima do Art. 5º o Ministério do Transporte deve, por meio de profissionais como urbanistas e engenheiros, criar um modelo de planejamento urbano que vise tornar a cidade acessível, incentivando financeiramente as prefeituras a realizarem a troca de ônibus defeituosos por novos e reformas nas vidas públicas de circulação. Por fim, os meios de informação, como a TV e Internet, devem realizar propagandas publicitárias que exponham os benefícios do uso do transporte público, com o finco de garantir uma mobilidade urbana acessível e sustentável.