Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 21/06/2020
Segundo o Plano Diretor da Cidade de São Paulo, uma cidade é considerada desenvolvida quando há coordenação entre as funções sociais e o uso ecologicamente equilibrado do território. Entretanto, tal regimento não se aplica na prática. As zonas urbanas apresentam problemas de mobilidade urbana decorrentes da má gestão governamental e da formação de uma cultura dependente dos automóveis.
A princípio, é necessário salientar o quanto a falta de políticas públicas influencia na dinâmica da mobilidade urbana. Segundo o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, quando um governo perde a sua função social, ele se assemelha a uma “instituição zumbi”, pois permanece na inanição sem atuar perante as questões sociais. Essa visão contribui para o debate na medida em que ressalta a responsabilidade social do governo em atuar na questão da mobilidade urbana. No entanto, verifica-se uma falta de ação estatal quando se observa o privilégio do modal rodoviário em detrimento do modal ferroviário, por exemplo. Esse problema é decorrente da falta de subsídios do Governo para o investimento na variação dos modais de circulação. Isso tende, por sua vez,a provocar a saturação das vias urbanas e trânsitos frequentes.
Outrossim, cabe pontuar a grande massificação da cultura automobilística influenciada pelo capitalismo. De acordo com os pensadores da Escola de Frankfurt, a “indústria cultural” é a transformação da arte em bens de consumo que atenda às demandas do capital. Nesse sentido, houve um estímulo à compra de automóveis, como forma de elevação do status social, por meio de propagandas embutidas em novelas e filmes. Assim, houve um aumento histórico, sobretudo durante o governo de Juscelino Kubitschek, na concentração de veículos individuais. Hodiernamente, isso causa problemas ambientais e de mobilidade, o que vai contra a proposta do Plano Diretor para cidades ecologicamente equilibradas.
Destarte, medidas são imprescindíveis para resolver tais impasses. É mister que o Ministério da Infraestrutura promova a dinamização dos modais de transporte por meio do redirecionamento de verbas. Isso deve ser feito de modo a ampliar as ferrovias para locomoção de cargas, com o fito de diminuir a concentração de veículos nas rodovias e, consequentemente, elevar a mobilidade. Outrossim, deve ser incentivado o uso de biocombustíveis para minimizar a poluição ambiental e, enfim, garantir a aplicação do Plano Diretor.