Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 25/06/2020

“O espaço é curto, quase um curral”. No Trecho da canção “O Rodo Cotidiano”, a banda “O Rappa” faz uma comparação do caótico trânsito das metrópoles brasileiras com um curral, enfatizando que o espaço é pequeno, dificultando a locomoção pelas grandes cidades. De maneira análoga, infelizmente, no hodierno cenário, a mobilidade urbana enfrenta grandes obstáculos no Brasil, impossibilitando o alcance do bem-estar social. Assim, faz-se pertinente debater acerca do problema que não é observado tanto pelo poder público quanto pela sociedade, mas que precisa ser devidamente combatido.

Em primeira instância, é preciso reconhecer que a negligência governamental corrobora a existência do problema. Após a Segunda Guerra Mundial, as cidades começaram a se desenvolver de forma rápida e desordenada, intensificando a urbanização. Isso pode ser comprovado mediante as péssimas estruturas dos centros urbanos, uma vez que não comportam a quantidade de carros presentes nas ruas, tendo como consequência os pavorosos trânsitos.Em seu livro “O Direito à cidade”, Henri Lefebvre afirma que o acesso à cidade é um direito que deve ser garantido aos cidadãos, para que lhes seja assegurada a plena cidadania. Para o autor, a questão da mobilidade urbana só é solucionada quando se garante a existência de uma rede intermodal de transportes. Portanto, o transporte público não foi desenvolvido de forma eficiente, bem como a falta de infraestrutura impede seu pleno funcionamento levando os indivíduos a adquirirem o próprio veículo.

Outrossim, a inépcia social contribui para a ocorrência do problema. É notório que o carro é sinônimo de “status” no Brasil, visto que durante o governo de Juscelino Kubitschek, o presidente incentivou o modelo desenvolvimentista do país, no qual foi amplificado o poder aquisitivo da população, a fim de estimular a compra de veículos particulares. A partir disso, a população começou a adquirir desenfreadamente carros e motocicletas. Segundo Paul Hawken, ambientalista americano, “Tudo está conectado. Nada pode mudar sozinho”. Tal máxima, comprova que para o íntegro funcionamento da mobilidade urbana, é necessário que a sociedade, também, faça a sua parte buscando meios alternativos de transporte.

Torna-se evidente, portanto, que medidas são necessárias para mitigar o problema. Para tanto, cabe ao Ministério da Infraestrutura ampliar as linhas de ônibus e metrôs, por meio de maiores investimentos financeiros e fiscalização de funcionamento, para influenciar as pessoas a utilizarem o transporte público cotidianamente. Ademais, o Governo Federal deve aplicar as verbas destinadas ao transporte, implementando projetos de bicicletas compartilhadas, e ampliar ou construir ciclovias. Desse modo, a busca pelo transporte individual diminuirá e facilitará a mobilidade urbana.