Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 15/07/2020
Com o famoso discurso “50 anos em 5”, o ex-presidente da República Juscelino Kubitschek iniciou o processo de modernização do Brasil pautado no modelo rodoviário. Rodovias passaram a unir o país, trouxeram empregos em diversos setores e alteraram permanentemente o modo de locomoção do brasileiro. Contudo, o estímulo excessivo ao uso de automóveis gerou grandes problemas para a mobilidade urbana. Nesse sentido, tanto a infraestrutura deficitária do transporte público quanto a ideia de se ter carro como status contribuem para um cenário caótico.
Primeiramente, a precariedade do sistema público de transporte é um problema. De fato, a infraestrutura deficitária de ônibus, barcas e metrôs fere o direito inalienável de ir e vir de todo cidadão brasileiro, presente no artigo 5º da Carta Magna. Como a locomoção é fundamental para que o indivíduo desempenhe suas atividades diárias, os que possuem maiores condições financeiras contornam a situação ao adquirir automóveis, mas as pessoas que não possuem essa opção acabam ficando, ainda mais, excluídas da sociedade. Assim, é de suma importância buscar soluções que abarquem as mais diversas classes sociais.
Além disso, a visão consumista da sociedade moderna também afeta negativamente a mobilidade urbana no Brasil. O conceito de obsolescência perceptiva, proposto pelo sociólogo Adorno, diz que produtos, mesmo em perfeito funcionamento, passam a ser vistos como obsoletos quando novas versões surgem no mercado. Na indústria automobilística não é diferente: modelos, cores e pequenos detalhes são constantemente alterados, estimulando o consumidor a descartar a versão antiga e comprar a nova para se manter “na moda”. Com isso, há o exponencial crescimento não só da produção, mas também da quantidade de veículos circulantes e do trânsito.
Faz-se necessário, portanto, que o Ministério dos Transportes, em parceria com empresas privadas de logística, ampliem a frota de ônibus, barcas e metrôs, ao contratar mais condutores, para melhorar o acesso aos meios públicos de transporte, pois dessa forma a quantidade de carros particulares seria reduzida. Ademais, com o intuito de minimizar os efeitos da obsolescência perceptiva, as escolas devem promover palestras sobre os malefícios que o consumismo em excesso traz, ministradas por psicólogos, pois é através da propagação de conhecimentos que a população pode desenvolver o senso crítico e buscar se policiar em relação a comportamentos nocivos. Dessa maneira, o progresso trazido por JK pode ser desfrutado por todos e não apenas por uma parcela seleta da sociedade.