Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 22/07/2020
A priori, a Constituição Federal tem como uma de suas garantias fundamentais o direito de ir e vir aos cidadãos. No entanto, contrariando essa ideia, a mobilidade urbana apresenta diversas falhas no que diz respeito à qualidade dos serviços oferecidos, bem como ao escasso investimento em políticas públicas de urbanização e transporte. Consequentemente, os indivíduos optam pela compra do transporte individual, o gera um espaço urbano conturbado, além de prejudicar o meio ambiente. Com iisso, é necessário abordar a respeito dos problemas da mobilidade urbana no Brasil.
Em primeiro plano, é fato que o tráfico cotidiano no âmbito nacional enfrenta muitos desafios. Partindo desse pressuposto, desde o Iluminismo, compreendeu-se que o progresso só é alcançado quando há mobilização coletiva em função de um problema. No entanto, o dilema da mobilidade urbana deturpa essa máxima, haja vista que os setores governamentais negligenciam políticas específicas para aumentar a oferta de alternativas de deslocamento que possam atender a demanda de passageiros dependentes do transporte público. Ademais, muitas vezes, a falta de planejamento, tal como a escassez de ciclovias e calçadas sem boas condições para a circulação de pedestres, agravou o entrave. Com isso, é visível que o setor governamental precise mudar seus atos de descaso.
Em segunda instância, ficam evidentes os prejuízos que a deficiência na mobilidade urbana do Brasil podem reproduzir. Biologicamente, é viável afirmar que a ineficiência da rede locomotiva é o catalisador por agravar problemas ambientais, devido aos resíduos dos combustíveis fosseis que os automóveis liberam. Além disso, com a busca frequente por transporte individual, surge o sobrecarregamento do espaço, podendo provocar, por exemplo, males advindo do estresse, segregação e violência. Sendo assim, para confirmar tal fato, segundo dados da Fundação Getúlio Vargas, a frota de veículos brasileiros cresceu 40% em 10 anos.
Infere-se, portanto, que, diante dos fatos mencionados, é indispensável uma mudança no cenário urbano brasileiro. Primeiramente, cabe ao Ministério do Desenvolvimento Regional, órgão responsável pelo desenvolvimento urbano, de habitação, transporte urbano e de trânsito, elaborar alternativas para o sistema de transportes, por meio da disponibilidade de mais ônibus, além da ampliação de linhas ferroviárias e metrôs, com o intuito de reduzir a quantidade de veículos individuais nas cidades e, dessa forma, a população conseguir se locomover de maneira mais dinâmica, eficiente e agradável para a convivência social. Outrossim, é importante também, a construção de ciclovias e inserção de bicicletas para os indivíduos, pois além de diminuir o sobrecarregamento das cidades, vai ter um reflexo positivo para o meio ambiente, uma vez que a poluição atmosférica será reduzida.