Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 29/07/2020

Expresso na Constituição Federal, pelo artigo 5º, inciso XV, o direito de ir e vir confere liberdade ao indivíduo para se locomover livremente por vias públicas. Atualmente, para uma parcela significativa da população, tal direito tem sido dificultado pela deficiência de planejamento do Estado em relação ao transporte público acarretando em consequências negativas para a população.

A carência de políticas públicas claras e severas, bem como a falta de fiscalizações contínuas relacionadas ao transporte público, originou um serviço caro e de má qualidade.  Em grandes centros urbanos, uma única linha é responsável por cobrir um trajeto longo e provoca a abominável superlotação. Dessa forma, os usuários são diariamente expostos a furtos e assédios, ficando propensos ao estresse. Segundo analistas do Movimento Passe Livre (MPL), tais condições afetam negativamente a saúde dos mesmos.

Alinhando esse fator com o aumento da renda média brasileira, o coordenador de transportes do ICS, Walter Figueiredo Di Simoni, atesta que a inconsistência do serviço oferecido provocou uma explosão do uso de veículos individuais, que, por sua vez, contribuem no aumento de engarrafamentos, no número de acidentes e colaboram com impactos ambientais ao emitirem gases poluentes responsáveis pelo efeito estufa.

Todavia, o transporte publico ainda é a principal forma de locomoção da população, o que implica na sua necessidade de atenção pelo Ministério dos Transportes e pelas Secretarias Municipais. Esses órgãos devem desenvolver licitações voltadas para o interesse popular e realizar fiscalizações periódicas da prestação. Por meio de campanhas publicitárias, devem estimular os demais cidadãos a usufruírem dos transportes coletivos. Ademais, a integração de diferentes sistemas (ônibus, metrô e trens de superfície) ajuda na melhora do tráfego e inspira o público a usufruir dos mesmos na tentativa de melhorar, assim, sua qualidade  de vida.