Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 02/08/2020
No fim da década de 1950, o presidente Juscelino Kubitschek escolheu a construção e a disseminação de malhas rodoviárias pelo país, por meio de seu plano desenvolvimentista - o qual planejava evoluir 50 anos em apenas 5. Contudo, nos tempos hodiernos, os brasileiros sofrem as consequências negativas causadas por tal escolha, visto que as grandes extensões de rodovias favoreceram, sobretudo, as regiões metropolitanas e ocasionaram inúmeros problemas, dentre eles a deficiente mobilidade urbana nacional. Dado o exposto, deve-se analisar não somente os entraves gerados para a saúde dos cidadãos, mas também a decadência coletiva humana.
Em primeiro plano, é preciso entender que os males causados por essa moléstia atingem diversos setores da vida das pessoas que utilizam os modais de transporte. O sociólogo Georg Simmen dizia que o crescimento das metrópoles tem relação direta com o acometimento da saúde dos indivíduos. Dessarte, é indiscutível que, nas grandes cidades, as longas horas perdidas no trânsito, a falta de serviços eficientes de locomoção e as grandes distâncias entre a díade trabalho-casa são os pilares da formação de cidadãos doentes tanto físico quanto psicologicamente, o que, além de confirmar a máxima de Georg, corrobora a concretização da “sociedade do cansaço”.
Ademais, é imprescindível entender as relações interpessoais que são comprometidas devido a essa crise móbil urbana. Para isso, o sociólogo Émile Durkheim afirmava que quando há o aumento excessivo das cidades torna-se notória a diminuição da consciência coletiva. Infere-se, pois, que o incremento da individualidade está diretamente relacionado aos crescentes conflitos cotidianos - a exemplos: brigas de trânsito e disputas por lugares nos transportes públicos -, haja vista que, paralelo ao pensamento durkheimiano, o indivíduo tende a se auto-valorizar, o que causa, implicitamente, a sobreposição de egos e a potencialização das agressões físicas e verbais.
É mister, portanto, que projetos sejam criados para que a mobilidade urbana deixe de ser um desafio para o país. Destarte, cabe ao Departamento Nacional de Trânsito, em parceria com engenheiros especializados em estradas e rodagens, a criação e o aperfeiçoamento de programas que impliquem a intermodalidade funcional e efetiva, por meio de capitais públicos e privados, além da fiscalização dos pontos intermodais para verificar se tais medidas são cumpridas, para que haja não só a sensação de encurtamento das distâncias, como também a mitigação dos problemas de saúde enfrentados atualmente pelos brasileiros. Assim, o Brasil distanciar-se-á dos entraves causados pleas escolhas de Kubitschek e aproximar-se-á do desenvolvimento pleno, social e coletivo.