Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 17/08/2020
Segundo Aristóteles, todas as sociedades tendem a um bem, principalmente, a um bem supremo, sendo que, o bem supremo que abrange todos os outros é a chamada cidade. Ocorre que, juntamente a essa cidade, surgem também outros desafios, como os desafios em torno da mobilidade urbana, com consequências diretas e indiretas na vida das pessoas.
Um primeiro ponto a destacar sobre os desafios da mobilidade urbana se refere ao fato que o crescimento desenfreado de grandes metrópoles, como São Paulo com cerca de 12 milhões de habitantes, é acompanhado com um aumento significativo de transportes individuais, já que como dizia Carlos Drummond de Andrade em seu poema “Cota Zero”, o homem é dependente de automóvel. Diante desse cenário, e com uma deficiência por parte do poder público em disponibilizar infraestruturas adequadas de mobilidade urbana, surgem diversos problemas como consequências diretas no cotidiano das pessoas, como por exemplo, sobrecarregamento do espaço, limitação do fluxo, aumento do índice de acidentes com resultado em morte ou mutilações graves e uma enorme poluição atmosfera com aumento progressivo de liberação de gás carbônico no espaço.
Outro ponto que merece destaque nessa temática está relacionado com as consequências indiretas no dia a dia das pessoas, como por exemplo, o aumento das estatísticas referentes a crises de ansiedades, tendo como uma de suas causas o estresse diário com o trânsito. Apesar de no Brasil está em vigor a lei da mobilidade urbana, que dispõe de medidas a serem adotadas para melhorar o deslocamento de pessoas, integrando os diferentes meios de transportes com um preço acessível de tarifas para municípios com mais de 20.000 habitantes, tais praticas acabam ficando no plano formal. Como consequência disso, o que se vê são pessoas gastando cerca de uma e até duas horas para se locomoveram até o trabalho, levando a um esgotamento físico e psicológico, e corroborando para os 9% dos brasileiros que sofrem com crises de ansiedades, segundo a Organização Mundial de Saúde – OMS.
Portanto, a fim de mitigar os desafios em torno da mobilidade urbana no Brasil é necessária ação integrada dos Ministérios da Economia, Infraestrutura e Meio ambiente para um aumento das alternativas e da acessibilidade dos transportes, como por exemplo, aumento de ciclovias, rede metroviária, bem como ser analisada a viabilidade de diminuição das passagens e taxação sobre veículos elétricos a fim de incentivar sua venda e assim diminuir impactos ambientais.