Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 27/08/2020
O desenho animado “Ladybug” retrata o cotidiano de uma sociedade moderna que tem carros voadores para potencializar o deslocamento de pessoas e cargas na cidade de Paris. Entretanto, no Brasil, a efetivação da mobilidade urbana ainda encontra muitos desafios, não só pela organização do sistema capitalista, mas também pela histórica forma de organização das cidades. Nessa perspectiva, urge a necessidade de efetuar medidas para reverter essa problemática.
Em primeiro plano, fica claro que a dificuldade em consolidar o deslocamento qualitativo no perímetro urbano está relacionada ao sistema organizacional da sociedade capitalista. Nesse sentido, nota-se que grande parte das empresas ainda propõem uma jornada de trabalho configurada nos mesmos parâmetros do início da Segunda Revolução Industrial, com horários que iniciam cedo pela manhã e encerram no final da tarde, o que contribui para o inchaço dos grandes centros no “horário do rush”. Consoante isso, o documentário “130 km” retrata o quanto é desfavorável ao tráfego o grande número de veículos que se deslocam para a mesma localidade em determinados horários, tanto por gerar congestionamentos quanto por afetar a qualidade de vida da população, dificultando a mobilidade urbana em megacidades, como São Paulo.
Em segunda análise, é evidente que a histórica configuração da infraestrutura do ambiente citadino colabora para a crise na mobilidade de indivíduos e mercadorias. Sob essa perspectiva, fica claro que as políticas desenvolvimentistas implantadas no país sempre se basearam em uma “carrocracia”, como é o caso do governo de Juscelino Kubitschek, com seu plano de metas, que potencializou a produção de automóveis, e Washington Luís, que administrava sob a premissa de que “Governar é abrir estradas”. Nesse viés, percebe-se que as cidades são construídas de modo a favorecer apenas rodovias, marginalizando a utilização de diferentes modais, como as bicicletas, que constituem somente 3% de toda malha viária nas grandes capitais, de acordo com a Confederação de Transportes.
Diante dos fatos supracitados, faz-se necessário que o governo federal promova a reorganização dos horários das empresas, a fim de evitar a intersecção de horários. Esse projeto deve ser efetivado por meio do incentivo à isenção fiscal às empresas que flexibilizarem a sua jornada, viabilizando a organização de períodos diferenciados de produção, além de investir no acompanhamento psicológico dos trabalhadores, para evitar que sua saúde seja afetada nesse processo. Nesse sentido, o intuito de tal medida é diminuir a concentração de automóveis nos horários de pico, a fim de manter um fluxo moderado e, futuramente, proporcionar uma mobilidade urbana de qualidade no Brasil como na animação infantil.