Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 31/08/2020

Após o descobrimento do Brasil por Portugal, durante os primeiros trinta anos, não houve interesse pelas terras além do desejo pela exploração do pau-brasil. Somente no ano de 1530, o Rei Português enviou uma expedição colonizadora que fundou a primeira vila da Colônia. Todavia, tal colonização tinha como objetivo principal beneficiar-se das riquezas naturais, sem se preocupar com o desenvolvimento da terra ocupada. Tal atitude reflete até os dias atuais, visto que a grande maioria das cidades brasileiras são caracterizadas pela espontaneidade e não pelo planejamento, resultando em graves problemas infraestruturais, entre eles o desafio de gestão da mobilidade urbana que tende a ser um dos principais problemas das cidades atuais.

A capacidade de se deslocar dentro de um centro urbano, com objetivo de desenvolver relações sociais e/ou econômicas, é o conceito de mobilidade urbana. Nos países desenvolvidos o planejamento ocorreu de forma mais organizada, as pessoas de baixa renda eram alocadas no centro da urbanização, para evitar maiores deslocamentos, e a parcela da população com melhores condições moravam mais afastados, visto que têm melhores condições para se locomoverem. Em contrapartida, nos países subdesenvolvidos, como o Brasil, a ocupação ocorreu de forma acelerada e desordenada, as pessoas com melhores condições que se localizam próximas ao ponto central da urbanização.

Tendo isso em mente, percebe-se uma necessidade maior de transportes públicos como ônibus, mêtros e trens, inclusive são transportes mais eficazes por transportarem mais pessoas e ocuparem menos espaço. Porém o aumento na compra do produto símbolo do capitalismo pós Guerra Fria, os carros, foi de 12,1% de janeiro a julho de 2019, saindo de um milhão e trezentos e oitenta mil para um milhão e quinhentos e cinquenta mil, de acordo com a Anfavea. A elevação das vendas de automóveis resulta num aumento diretamente proporcional ao crescimento de engarrafamentos  nas grandes cidades.

Portanto, conclui-se que para obter uma melhoria na mobilidade urbana brasileira deve-se investir em políticas públicas, como a implementação do rodízio veicular nas grandes metrópoles do país. Evitar o monopólio de grupos administrativos, que operam as companhias de transportes em parcerias público-privadas, já que tal atitude reflete em problemas como preços abusivos, transportes precários e sem segurança, além de deslocamentos mal planejados. Se tais atitudes forem devidamente exercidas, podem resultar num avanço positivo em relação à mobilidade urbana.