Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 08/09/2020
O advento da Revolução Industrial aliado ao fortalecimento do capitalismo, trouxe ao mundo fortes impactos sociais, como o êxodo rural e, concomitantemente, alterou a lógica de funcionamento urbano. Da mesma maneira se deu no Brasil, apesar de tardio. A mudança sistematizada do modelo vigente resultou em problemáticas relacionadas à integração entre os diferentes planos das próprias cidades, dentre elas a mobilidade urbana. Tal fator ainda é um desafio no hodierno, pois seu mal funcionamento é economicamente desvantajoso – a ociosidade causada pela locomoção- e, também, apresenta-se como meio necessário para grande parte da comunidade exercer sua atividade econômica e seu direito básico de ir e vir.
O padrão monetário vigente exige, para a maioria dos assalariados, o deslocamento citadino, que em grandes metrópoles se configura como um desafio diário. A superlotação dos meios de transporte coletivos, além de congestionamentos de carros, provoca um desperdício de tempo tanto para os trabalhadores quanto para a economia – pois o período gasto se configura como um momento economicamente improdutivo. Tal ideia é salientada pelo pensador inglês Benjamin Franklin, defensor do argumento de que tempo gasto é, outrossim, dinheiro gasto.
Não obstante, a falta de harmonia entre os diferentes meios do sistema de transporte causa a sobrecarga, principalmente, das ruas nas urbes brasileiras. O modelo baseado no fordismo automobilístico corroborou a dependência de milhões de pessoas no mesmo aparelho de locomoção. Destarte, quando a consistência do seu funcionamento é prejudicada, todos os indivíduos-prioritariamente os proletariados- também são. Portanto, a ausência de funcionalidade afeta a comunidade subordinada e deprecia seu direito essencial de ir e vir-previsto no artigo 5º da constituição vigente.
Dado ao exposto, nota-se a necessidade de uma malha bem integrada visto que seu bom desempenho afeta o país, tanto no âmbito econômico quanto no bem-estar do brasileiro. Assim, é profícuo que o Estado, pelo Ministério da Infraestrutura, destine verbas igualmente relevantes a todos os diversificados meios de condução –buscando promover uma melhora para os usuários- e os torne acessíveis, visando o estímulo ao uso de formas alternativas. Por fim, o esforço dos habitantes se faz necessário, para que não haja o excesso de um só sistema. Nas escolas, deve ser ensinada a importância de tal iniciativa desde cedo, através de atividades lúdicas e, para o restante da comunidade, com as palestras elaboradas por técnicos da área. Todos esses fatores, em conjunto, contribuiriam para a maior fluidez na mobilidade urbana.