Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 08/09/2020

Desde o acontecimento do êxodo rural, houveram mudanças significativas na vida citadina, o que promoveu problemas até hoje enfrentados pela população, como é o caso das dificuldades encontradas na mobilidade urbana no Brasil, indicando que a qualidade de vida dos cidadãos deve ser melhorada. Nesse contexto, a infraestrutura precária para abrigar o grande quantitativo de pessoas, bem como o incentivo estatal na compra de veículos automobilísticos contribuem para a permanência de situações como essa.

Primeiramente, é fato que a infraestrutura de grande parte dos centros urbanos não consegue garantir o deslocamento de um determinado local a outro com qualidade, haja vista que, inclusive nas principais cidades brasileiras, há uma elevada densidade demográfica em decorrência das oportunidades de trabalho que essas regiões oferecem. Nesse sentido, o filme “Onde está Segunda?”, reflete o drama enfrentado por muitos cidadãos, que encontram diversas dificuldades para ir e vir em uma cidade superlotada. De forma análoga, a população brasileira também encontra dificuldades na mobilidade urbana pois não há infraestrutura suficiente para abrigar o elevado quantitativo de pessoas, considerando que também há falta de recursos de acessibilidade para idosos e deficientes físicos.

Ademais, o incentivo estatal na compra de automóveis influencia diretamente a persistência do problema. Desde o governo do presidente Juscelino Kubitschek, em 1950, houveram investimentos em peso na indústria automobilística para a produção em larga escala de veículos em território nacional, o que gerou a redução de impostos sobre esses produtos e, consequentemente, aumentou o poder de compra da população. Assim, como a maior parte da população tem posse de, pelo menos, um automóvel, a crise na mobilidade urbana se agrava, visto que o grande número de veículos dificulta ainda mais o deslocamento citadino, provocando engarrafamentos e problemas no trânsito.

É indubitável, portanto, que a crise da mobilidade urbana no Brasil deve ser suprimida. Para isso, cabe ao Ministério das Cidades - responsável por transformar as cidades em locais humanizados e garantir a qualidade de vida nos centros urbanos, em parceria com o Ministério de Desenvolvimento Regional, criar políticas públicas de melhoria na mobilidade urbana, por meio da criação de leis de trânsito, construção de obras que facilitem o deslocamento dos cidadãos e de propagandas de cunho educativo, veiculadas na mídia, sobre as dificuldades causadas pelo exagerado quantitativo de automóveis no deslocamento citadino, para que, desse modo, a população possa ter a garantia de qualidade de vida no espaço urbano, e as consequências negativas do êxodo rural na infraestrutura das cidades sejam minimizadas.