Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 22/09/2020
Em 1928 foi inaugurada a primeira rodovia asfaltada do Brasil pelo então presidente Washington Luís, cujo lema era: “governar é abrir estradas”. Todavia, a política desenvolvimentista adotada por Juscelino Kubitschek, alguns anos depois, incentivou o crescimento da indústria automobilística, a qual ocorreu de forma desordenada e trouxe consequências para a mobilidade urbana brasileira que precisam ser resolvidas.
Em primeira análise, percebe-se a cultura do carro próprio, fortemente estimulada no governo JK, como um problema que dificulta a locomobilidade da sociedade. De acordo com o Jornal Folha de São Paulo, os paulistas gastam em média 3 horas por dia para fazer os deslocamentos que precisam na cidade. Isso ocorre porque o aumento de veículos nas ruas provoca o congestionamento do trânsito e, consequentemente, perda de tempo que poderia ser usado para trabalhar ou descansar.
Outrossim, vale salientar, que a falta de investimentos no transporte público fomenta o uso do automóvel particular. Segundo as leis de Newton, dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço. Entretanto, é comum observar, principalmente nas grandes cidades, metrôs e ônibus lotados de pessoas disputando o mesmo local. Sendo assim, a condução própria torna-se uma alternativa melhor devido ao conforto que proporciona, embora o trânsito já esteja sobrecarregado e mais carros só aumentam o problema da mobilidade.
Depreende-se, portanto, a necessidade de solucionar essa problemática. Para isso, cabe aos governadores cobrar das prefeituras a elaboração do plano de mobilidade urbana, que deve ser feito por meio de parcerias com profissionais da engenharia e arquitetura. Esse plano deverá incluir ações como o rodízio de carros, existente em várias cidades, mas que precisa de projetos paralelos para ser efetivo, como vias para ciclistas, corredores exclusivos de ônibus e, claro, investimento no transporte público, o qual deve oferecer serviço de qualidade e com preço justo, a fim de que todo cidadão possa usufruir do direito à cidade com eficácia e bem-estar.