Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 21/12/2020

O vídeo “Congestionamento”, da produtora “Porta dos fundos”, retrata como personagens clássicos das criações artísticas seriam impedidos de realizar suas funções devido ao trânsito das cidades. Esse contexto não se restringe a ficção, visto que, conquanto existam alternativas para melhorar a mobilidade urbana no Brasil, essa piora ao longo dos anos. Diante disso, é necessário avaliar a postura irresponsável da sociedade e a negligência do Estado como entraves para minimizar essa problemática.

Em primeira análise, observa-se que o modo de vida atual ao preterir os transportes alternativos ao rodoviário sobrecarrega as vias. Conforme o filósofo Jean Baudlliard, a mercadoria signo é um produto cujo valor transcende sua funcionalidade, tendo um status atribuído a ele. Isso é percebido no prestígio associado a compra de um carro para cada integrante da família, no entanto, muitas vezes, os indivíduos poderiam dividir o veículo, ou utilizar o transporte público e a bicicleta, por exemplo. Em decorrência dessa busca por reconhecimento da sociedade, existem mais veículos que as vias podem comportar, o que causa congestionamentos. Desse modo, é preciso um consumo consciente para atenuar o trânsito.

Ademais, outro aspecto a ser considerado é que as ações governamentais são insuficientes para promover a mobilidade urbana. De acordo com o sociólogo Émile Durkheim, problemas globais derivam-se de desiquilíbrios em instituições sociais. Esse pensamento é notado no predomínio de investimentos no rodoviarismo, que foi sinônimo de progresso durante a década de cinquenta, no entanto, o relevo brasileiro e o inchaço urbano hodierno são propícios a um sistema multimodal. Por conseguinte, outros meios de transporte, como o ferroviário, são sucateados, o que leva a população a utilizar o carro devido ao conforto proporcionado. Dessa forma, é necessário melhorar os modos de locomoção para garantir o fluxo urbano.

Evidencia-se, portanto, que o consumismo e a displicência estatal são entraves para melhorar a movimentação nas cidades brasileiras. Por isso, cabe à mídia, por meio de canais abertos de televisão, promover ficções engajadas, como filmes e novelas, com a finalidade de alertar a sociedade sobre os danos que a busca por status causa na locomoção urbana. Outrossim, é dever do Ministério da Infraestrutura, órgão responsável pelas políticas de trânsito e transporte, recrudescer investimentos em outros meios de locomoção, como metrôs e ciclovias, com o fito de aumentar a adesão da população a eles. Assim, é possível evitar engarrafamentos como mostrado pela produtora “Porta dos fundos”.