Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 05/01/2021
Em sua obra “Utopia”, Thomas Morus identifica a realização de um lugar perfeitamente harmônico, ideal e livre de problemas, no qual o bem-estar físico, mental e social é garantido. Entretanto, na atual conjuntura sociopolítica brasileira, a realidade vivida é o oposto àquela pregada pelo autor, já que problemas de cunho social, como a mobilidade urbana, são imbróglios para a concretização da sociedade descrita. Dessa forma, esse quadro anômalo é fruto das questões referentes ao transporte público e às rodovias verde-amarelas. Portanto, esses problemas, que se tornaram fenômenos sociais, precisam de um olhar crítico, a fim de serem solucionados.
Em primeiro plano, é preciso analisar a relação quantitativa entre os meios rodoviários de locomoção públicos e privados. Assim, de acordo com a Associação Nacional de Transportes Públicos, um ônibus de transporte público abarca cerca de 80 pessoas, ao passo que esse quantitativo de usuários é proporcional a 60 carros particulares, dos quais cresceram 400% em dez anos - dados da Fundação Getúlio Vargas. Com isso, a preferência pela mobilidade particular faz com que o volume das rodovias não seja, ao máximo, aproveitado, de forma a se constatar menos pessoas por metro quadrado, o que, por fim, acarreta em uma tumoração no sistema de ir e de vir da população brasileira. Dessarte, é importante uma maior aprimoração no setor governamental.
Outrossim, a observação do rodoviarismo no território brasileiro é indispensável. Deste modo, com o vísivel entrave gerado, torna-se viável o desenvolvimento de outras modalidades de movimento urbano. Logo, a Constituição Federal propõe a asseguração de direitos básicos e humanos para toda a população brasileira, como a garantia dos direitos sociais em seu artigo 6º, como exemplo, ao transporte pleno e funcional. Todavia, a escassa variedade de tipos desenvolvidos de deslocamento, excetuado o rodoviário - propagado na gestão de Juscelino Kubitschek -, expõe esse modo mobilista como o único acessível e passível de utilização, o qual, uma vez congestionado e inoperante, causa o impedimento e a impossibilidade do acesso ao transporte prometido constitucionalmente.
Face ao exposto, a resolução das problemáticas é imprescindível. Por conseguinte, o Ministério da Infraestrutura - órgão primordial para a gestão da locomoção brasileira - deve criar uma rede nacional de compartilhamento de bicicletas voltada aos centros urbanos, com a distribuição dessas em pontos estratégicos das cidades. Por consequência, alcançar-se-á a disponibilidade de caminhos alternativos de mobilidade urbana. Ademais, é mister que o Governo Federal direcione maiores investimentos ao setor de transporte público, para que o trânsito urbano seja harmonizado. Diante disso, as soluções para a mobilidade nas cidades, bem como a aproximação da sociedade utópica, serão promovidas.