Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 25/02/2021

Ao longo do século XX e, principalmente, no auge do governo Juscelino Kubitschek, viu-se no Brasil o predomínio de uma política rodoviarista. Esta forma de gerir as cidades trouxe inúmeras consequências, desde então, pois o predomínio desse modal, hoje responsável por 62% do transporte urbano, segundo o “Jornal Futura”, além de causar congestionamentos, também limita o uso de outros meio de transporte. O efeito dessa política pode ser analisada, portanto, a partir da diminuição da qualidade de vida, além de danos à economia brasileira.

Diante disso, é necessário destacar os princiapais fatores responsáveis pelos problemas de mobilidade nas grandes cidades brasileiras. Segundo Enrique Penalosa, ex-prefeito de Bogotá e responsável por iniciar a implantação do transmilênio, a única maneira de melhorar o transporte no meio público é restringindo o uso de carros. Nas cidades brasileiras, no entanto, há o predomínio do uso de automóveis, o que dificulta e bloqueia a mobilidade urbana. Adicionalmente, o investimento do modal rodoviário em detrimento de outros, como o metroviário, contribui para a manutenção desse cenário, no qual há ineficiência no plano de circulação e, ainda, gera desgastes sociais.

Desse modo, como consequência do projeto rodoviarista, é comum observar, na atualidade, respostas físicas e psicológicas nos indivíduos que enfrentam, diariamente, esse sistema em colapso. De acordo com uma pesquisa divulgada pelo jornal “Estadão”, o brasileiro que vive nas capitais brasileiras gastam, em média, duas horas e meia, por dia, no trânsito - cenário propício para o desenvolvimento de transtorno psíquicos como ansiedade e estresse. Além disso, obseva-se prejuízos na economia, como demonstrado pelo economista e político Marcos Cintra, em um artigo da Faculdade Getúlio Vargas, onde discursa sobre a perda de 40 bilhões ao ano, somente do estado de São Paulo, em função dos atrasos, por exemplo, para chegar ao trabalho e na entrega de cargas - que, em consequência, provoca o encarecimento dos produtos. Ou seja, esse panorama, além de afetar o âmbito pessoal e social também causa efeitos sobre a economia do Brasil.

Dessa forma, a fim de melhorar a mobilidade nas grandes cidades, é necessário que os municípios restrinjam a circulação de carros. Para isso, as prefeituras devem promover campanhas, e divulgá-las nos diversos meios de comunicação, que incentivem os cidadãos a deixarem seus automóveis em casa, nos horários comerciais, além de restringir o estacionamento nas ruas. Ademais, o Ministério das Cidades, em parceria com os prefeitos, deve ampliar as redes de ônibus no formato integração e investir no modal metroviário, que pode ser construído, por exemplo, subterâneo às vias exclusivas para ônibus.