Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 16/03/2021
Na música “Construção” de Chico Buarque, os versos: “agonizou no meio do passeio público/ morreu na contramão atrapalhando o tráfego”, evidenciam uma realidade nas cidades brasileiras onde o trânsito congestionado pelo grande número de veículos nas ruas, cresce ainda mais diante de qualquer “imprevisto” ( no caso da música, uma morte trágica). Desse modo, dois aspectos favorecem esse quadro: a precarização dos transportes públicos e a cultura de valorização do carro. Diante dessa perspectiva, faz-se imperiosa a análise desses fatores.
Em primeira análise, deve-se ressaltar a situação de precariedade dos transportes públicos coletivos. Segundo dados da Agência Brasil, mais de 50% da população tem nos transportes públicos seu principal meio de locomoção. Nesse sentido, os coletivos apresentam superlotação, insuficiência de demandas de horários e ainda má qualidade na manutenção de limpeza dos ônibus, gerando nos passageiros quadros de irritabilidade, estresse e aversão.
Outrossim, é fundamental apontar a cultura de valorização do carro como impulsionador do problema da mobilidade urbana no Brasil. Tendo em vista, que o transporte individual tornou-se símbolo de ascensão social, a quantidade de automóveis nas metrópoles cresce exorbitantemente, resultando em cidades travadas. De acordo com, o ex-prefeito de Bogotá: Enrique Penãlosa, “as cidades mais resolvidas do mundo dão mais espaço ao coletivo. Carros não são aparatos coletivos, por isso devem estar em segundo plano.” Diante de tal exposto, se tornou aparentemente óbvio que o transporte próprio é insustentável, pois gera menos mobilidade e mais engarrafamento, álem dos danos ambientais como poluição sonora e atmosférica. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.
Depreende, portanto, a necessidade de combater esses obstáculos. Para isso, o Ministério das Cidades deve direcionar mais investimentos para a diversificação dos modais de transporte, ampliando estruturas para bicicletas e pedestres (como as ciclovias e calçadas). Ademais, em parceria com o Ministério de Infraestrutura, deve ser feita a manuntenção de higiêne adequada nos ônibus e metrôs, além do aumento de horários. Assim, se consolidará uma sociedade mais ponderada e distante da triste realidade descrita nos versos da canção de Chico Buarque.