Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 02/04/2021
O chargista Iotti, em uma de suas obras, compara o trânsito das cidades ao quadro “Guernica”, de Pablo Picasso, devido ao cenário caótico e dramático retratado pelo pintor cubista na Guerra Civil Espanhola. Paralelamente à realidade brasileira, tal obra, somada aos problemas de acessibilidade, transporte público e déficits em meios alternativos de locomoção, retrata bem o quadro vivido e enfrentado pela população brasileira no tangente aos desafios da mobilidade urbana, devido à falta de planejamento urbano e a lacunas governamentais na busca por mudanças.
Em primeiro plano, é necessário analisar que existe, no Brasil, uma falta de planejamento urbano adequado que colabora aos desafios hodiernos. Sob esse viés, tendo em vista a permanência de aspectos da urbanização do século XX- graças à promoção de uma reforma urbana baseada no padrão europeu e a industrialização acelerada no governo Vargas, principalmente na região Sudeste- e que poucas mudanças ocorreram para abarcar a população atual e sua rotina, não é surpresa que esse fator seja um elemento que compactue ao caos urbano no século XXI. Assim, as cidades e seus moradores sofrem, diáriamente, por exemplo, com trânsito e engarrafamento, como retratado na charge de Iotti,- que afetam o bem-estar físico e mental dos indivíduos- e com atrasos para o trabalho- já que expressiva parcela populacional mora longe dos locais onde prestam serviço- sendo precido mudanças.
Em segundo plano, cabe destaca também que existem lacunas governamentais que auxíliam na intensificação dos desafios já herdados do planejamento inadequado das cidades. Nessa linha de pensamento, é possível destacar a falta de projetos efetivos para a implantação e ampliação de modais de transporte alternativos- como bicicletas e metrôs-, a manutenção do rodoviarismo- advindo das medidas desenvolvimentistas de Juscelino Kubitschek-, a permanência de um transporte público precário e insuficiente para acomodar a população que os utiliza e a falta de acessibilidade nas ruas e nos comércios como provas dessa brecha estatal. Dessa forma, o governo se enquadra na teoria, do sociólogo Bauman, de “Instituição zumbi”, uma vez que, embora exista e deva proporcionar qualidade de vida aos cidadãos em todos os setores, isso não tem ocorrido em relação a mobilidade urbana.
Portanto, tendo em mente as falhar de planejamento e do Estado, urge que o governo federal elabore projetos sociais de mobilidade, visando superar os desafios e melhorar a locomoção. Para isso, por meio do redirecionamento de verbas da Receita Federal, e acordo com a demanda de cada cidade do país, investimentos em acessibilidade- como construção de rampas-, em melhorias no transporte público- com ampliação da cota de ônibus e reforma dos já existentes-, implantação de ciclovias e parcerias com empresas para tornar as corridas mais acessiveis- como Uber e 99-, devem ocorrer.