Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 16/06/2021
No período do governo de Juscelino Kubitschek, foi criado o Plano de Metas que incluía, além de outras medidas de desenvolvimento, a implementação de uma indústria automobilística, a qual posteriormente gerou a popularização do carro no Brasil. Porém, mesmo com a existência de investimentos mais evidentes na mobilidade urbana desde o governo de JK, este setor de infraestrutura ainda passa por desafios, como o próprio histórico da urbanização das cidades brasileiras e a insuficiência e mau planejamento no que diz respeito às verbas destinadas a esse setor. Dessa forma, faz-se necessário elucidar sobre esses obstáculos para que soluções pertinentes sejam atingidas.
Em primeira instância, é importante ressaltar que um dos maiores desafios para o desenvolvimento da rede de transportes brasileira deriva da forma como a urbanização ocorreu no país. O processo de migração do campo para as cidades no Brasil ocorreu de forma desordenada e tardia, o que culminou, inclusive, na existência de áreas urbanas não adaptadas para promover maior mobilidade e integração. Essa herança histórica pode ser observada, por exemplo, na falta de faixas exclusivas para ônibus em diversas cidades brasileiras, além da discrepância entre a quantidade de transportes individuais e públicos. Dessa forma, fica visível que a estrutura urbana no brasil, negligenciada desde seus primórdios, priva a população de seu direito a locomoção de qualidade.
Simultaneamente, é possível perceber que os investimentos em meios de transporte público no Brasil são insuficientes e mal planejados. Segundo dados da Secretaria Nacional de Mobilidade Urbana (Semob) apenas 0,01% do Orçamento Federal foi destinado ao setor em 2019, o que mostra o descaso do poder público em relação à mobilidade urbana. Além do baixo investimento, a maior parte do valor é destinado aos ônibus, enquanto o setor metroferroviário brasileiro tem um déficit de 80%, de acordo com dados da Confederação Nacional do Transporte (CNT). Assim, pode-se visualizar que a má gestão e a carência de investimentos dificultam mais ainda o desenvolvimento de redes multimodais eficientes e diversificadas.
Portanto, fica evidente que medidas devem ser tomadas para que os desafios da mobilidade urbana brasileira sejam superados. Diante disso, o Ministério da Infraestrutura, por meio de verbas governamentais necessárias à demanda de veículos públicos, deve adaptar as vias urbanas para os transportes coletivos realizando, por exemplo, a ampliação do número de faixas exclusivas para ônibus, a fim de suprir a necessidade histórica de organização urbana, além de investir em meios alternativos de locomoção, como metrô e trem, com o intuito de retirar a sobrecarga dos ônibus e promover a existência de uma rede de transporte multimodal e, consequentemente, mais dinâmica.