Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 28/07/2021

A filósofa Hannah Arendt afirma que o espaço público deve ser preservado para que se assegure condições de liberdade e cidadania. No entanto, a tese da intelectual destoa do que é observado na dificuldade de concretizar uma mobilidade urbana devida, de forma a prejudicar a qualidade de vida da população, uma vez que ela não terá facilidade para se deslocar na sua rotina diária, o que demonstra uma falha de garantia da cidadania. Nesse sentido, em virtude da ineficácia das ações estatais e da lenta mudança na mentalidade social, emerge um desafio complexo.

Em primeiro plano, cabe apontar, por parte do poder público, a carência de atividades suficientemente efetivas para controlar o tráfego urbano. A esse respeito, o filósofo Maquiavel defende que mesmo as leis bem formuladas são impotentes diante da perpetuação de costumes indevidos. Nessa lógica, a forma passiva e banalizadora que as normas, muitas vezes, adquirem na realidade tende a prolongar a conjuntura de imobilidade nas metrópoles nacionais, haja vista que não há uma correta intervenção nos hábitos do cotidiano que formentam essa questão.Diante disso, seja pela falta de fiscalização,nas estradas, da quantidade de automóveis que seja compatível com uma locomoção saudável pelas ruas, seja pela precarização dos transportes públicos, que, por vezes, não acompanham a demanda do público, além de não possuírem uma logística e qualidade necessária, o panorama caótico de trânsito congestionado e de indivíduos estressados por esse motivo ainda será, infelizmente, um fato real.

Além disso, o pensamento individualista e consumista influencia na grande quantidade de veículos que trafegam nas cidades, o que dificulta um deslocamento fluído e harmônico. Nessa perspectiva, Nietzsche alega que a sociedade realiza atitudes com base em valores e ideias já estipuladas e valorizadas. Nesse contexto, o status de possuir um veículo, em muitos casos, é idealizado pela massa coletiva, que é influenciada a adquirir um transporte privado ao invés de um público, o que, consideravelmente,aumenta a carga de automóveis na estrutura urbana, além de possibilitar a imobilidade. Assim, infere-se que a forma como a população valoriza os transportes privados em detrimento, por exemplo,  do ônibus contorna o problema.

Portanto, torna-se substancial permitir uma fluidez no trânsito brasileiro. Para isso, cabe ao Ministério do Transporte estimular o uso de veículos coletivos nas grandes cidades do país, por meio da criação de um vale locomoção, que permita ao cidadão andar nos ônibus e vans gratuitamente, com a finalidade de combater a imobilidade presente atualmente. Ademais, esse vale deve contemplar também as pessoas que possuem carro próprio a fim de diminuir a carga desse modal no cotidiano. Logo, possivelmente, ocorrerá uma mobilidade saudável nas ruas do Brasil.