Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 29/07/2021

Na Constituição Federal de 1988, o direito de ir e vir é umas das garantias fundamentais do cidadão. No entanto, esse direito não tem sido assegurado à população brasileira. Nesse sentido, é necessário que medidas sejam tomadas para amenizar a questão, na qual os desafios da mobilidade urbana no Brasil persistem devido à falta de investimentos em infraestrutura e ao consumo desenfreado de veículos individuais.

Em primeiro plano, a falta de investimentos na mobilidade urbana é um fator determinante na persistência do problema. Segundo o filósofo Jean J. Rousseau, na obra “Contrato Social”, cabe ao estado viabilizações que garantam o bem-estar social. Sob tal ótica, é plausível que a greve dos caminhoneiros, ocorrida em 2018, tenha afetado a população brasileira. Desse modo, evidencia-se que a ausência de investimentos em alternativas para a dinâmica no transporte no Brasil acarreta a má distribuição de bens de consumo para a sociedade. Assim, encontra-se dificuldades para que haja soluções da problemática por conta do planejamento de trânsito nas grandes capitais do país, como São Paulo e Rio de Janeiro, ser deficiente de gestão pública voltada ao tráfego terrestre.

Ademais, cabe ressaltar o aumento desenfreado da frota de carros circulando nas ruas e, principalmente, nas metrópoles brasileiras, o que prejudica a mobilidade nos grandes centros urbanos. Segundo uma pesquisa da FGV - Fundação Getúlio Vargas - de 2016, a frota de carros cresceu 400% nos últimos dez anos. Em decorrência disso, as vias públicas ficaram mais congestionadas e passaram a não garantir a flexibilização necessária no trânsito. Por conseguinte, o tempo de trajetos entre trechos metropolitanos se tornou mais longo, cenário agravado pela ausência de modais alternativos de transporte disponíveis aos indivíduos.

De acordo com o livro “Sabedoria das Multidões”, de James Surowieck: é mais eficiente um grupo discutir soluções e tomar decisões idôneas. Portanto, cabe ao governo federal direcionar ao Ministério da Infraestrutura verbas públicas à mobilidade urbana para a formação de cidades mais sustentáveis, com o objetivo de efetivar o transporte que venha garantir o consumo coletivo por meio de medidas de expansão de ciclovias e ciclofaixas, construção de ferrovias e planejamento de transportes aquaviários em regiões afluentes. Além disso, cabe à mídia divulgar o uso consciente de automóveis individuais atrelar ao incentivo de caronas solidárias e propagar o consumo de meios alternativos, como o uso de bicicletas. Dessa forma, os desafios da mobilidade urbana no Brasil poderão ser solucionados de maneira eficiente.