Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 01/08/2021

De acordo com o filósofo pré-socrático, Heráclito, tudo muda o tempo todo e o fluxo perpétuo, isto é, constante, é a principal caracteristica da natureza. De maneira análoga, destaca-se o conceito de mobilidade urbana, que caracteriza-se como o deslocamento de pessoas e bens dentro do espaço das cidades, mediante a utilização de veículos, vias públicas e da infraestrutura disponível. Sob esse viés, observa-se a importância do planejamento adequado para a fluidez desse processo, a fim de garantir o exercício das atividades cotidianas e o bem-estar da população. Entretanto, no que diz respeito a conjuntura da sociedade brasileira, encontram-se desafios que inviabilizam o modo de locomobilidade dos indivíduos, gerados, principalmente, pelo inchaço urbano e a baixa aderência ao transporte coletivo devido ao sucateamento do mesmo.

A princípio, é lícito destacar o crescimento populacional como o principal desafio da cinesia urbana. Sob essa ótica, é necessário evidenciar que o processo de industrialização brasileira, instituída no Governo Vargas, teve um papel importante para esse contexto, de modo que a necessidade de mão de obra nos grandes centros e a busca por melhores condições de vida fomentou a diáspora campo-cidade. Por outro lado, esse processo obteve um maior espaço no Governo de Juscelino Kubitschek com a implantação de indústrias automotivas e o acesso ao crédito, facilitando, assim, a compra do transporte privado. Nesse sentido, o planejamento espacional e a evolução dos modais não conseguiram acompanhar esse crescimento, de tal maneira que o indivíduo passou a aglomerar-se nas vias públicas a fim de garantir a execução das atividades diárias.

Ademais, é preciso considerar que a baixa aderência ao transporte público desafia o processo de mobilidade urbana. A priori, é lícito destacar que os modais coletivos colaboram para o desenvolvimento das cidades ao ocupar menos espaços nas vias e transportar um maior número de passageiros. Todavia, no que tange a realidade brasileira, observa-se um sucateamento dos veículos, ocasionado, incontestavelmente, pela desproporcionalidade da oferta e a demanda populacional, associado à ausência de políticas governamentais que valorizem a importância deste para a garantização do direito de ir e vir dos cidadãos.

Portanto, são essenciais medidas a fim de diminuir tal problemática. Para isso, compete as empresas privadas responsáveis pela criação de estacionamentos rotativos aumentar o custo destes, de modo a incentivar os indivíduos a deixarem seus veículos em casa, estimulando, assim, o uso de modais coletivos. Por fim, cabe ao Ministério da Infraestrutura ampliar e supervisionar as linhas de ônibus e metrô no país, a fim de garantir um maior número de transporte de qualidade para a população.