Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 27/08/2021
Segundo Isaac Newton, na sua primeira lei ele diz que todo corpo que está em movimento ou repouso tende a ficar em tal estado se uma força não estiver atuando sobre ele. Nesse sentido, a lei pode ser relacionada com os desafios da mobilidade urbana no Brasil, uma vez que com o inchaço urbano os automóveis que estão parados tendem cada vez mais a esse estado. Sob tal ótica, fica claro que o problema da mobilidade urbana pode ser relacionado com às problemáticas do século XXI: uma péssima estrutura política de urbanização e o consumismo exacerbado como aliado para o problema.
Em primeiro lugar, é importante destacar que o Brasil foi estruturado em uma política de incentivo à adquirição de veículos. No período da industrialização, foi implantado no país o modelo de produção titulado Fordismo, que visava produzir mais em menos tempo, tal política permitiu que uma grande parte da população adquirisse automóveis. Assim, analogamente, é nítido que uma estrutura com base na priorização do transporte individual em detrimento do coletivo gerou problemas como os engarrafamentos, a lentidão no trânsito e o estresse diário das pessoas que vivem em cidades conturbadas.
Ademais, o consumismo sem limites é um dos fatores agravantes da situação mobilística do Brasil. De acordo com o Sindiônibus, por exemplo, 1 ônibus supriria o uso de aproximadamente 50 carros em horários de intensa movimentação no trânsito, porém o mercado apresenta diversas inovações que induz o indivíduo a optar pelo automóvel próprio. Simultaneamente, o intenso número de veículos faz com que o sistema de locomoção fique caótico e prejudique a vida de inúmeras pessoas através do aumento no número de acidentes e as doenças físicas e mentais geradas por essa rotina cansativa. Logo, o consumismo exacerbado tem um papel marcante nos problemas mobilísticos do Brasil.
Depreende-se, portanto, que os desafios da mobilidade urbana no país é resultado de uma péssima política de urbanização fundida ao consumismo intenso. Com o objetivo de alterar essa perspectiva errônea, urge ao Ministério da Infraestrutura, responsável pelas políticas nacionais de trânsito e transporte, priorizar e modernizar as redes de transporte coletivo, por meio de políticas de incentivo ao seu uso e de ações concretas que visam melhorar a qualidade dos automóveis públicos e diminuir o preço para seu uso, afim de promover uma mobilidade adequada. Somente assim, será possível minimizar os problemas de mobilidade e fazer com que os veículos em movimento continuem nesse estado.