Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 17/08/2021
Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. Entretanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que a questão da mobilidade urbana no Brasil e seus desafios apresentam barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico, aumenta os obstáculos para o deslocamento de pessoas e bens na cidade. Diante dessa perspectiva, a naturalização e a falta de políticas públicas agravam a problemática.
Em uma primeira análise, deve-se ressaltar a escassa abordagem do tema como um problema. Sob esse viés, segundo o sociólogo alemão Georg Simmel, essa banalização é denominada “atitude blase”, uma proposta de seu livro “The Metropolis and Mental Life”, que ocorre quando o indivíduo passa a agir com indiferença em meio às situações que deveria dar atenção. Nessa lógica, a inexistência de um debate acerca do tema intensifica as consequências, entre elas, a sobrecarga do espaço, limitação dos fluxos, aumento no índice de acidentes e a poluição do ambiente. Desse modo, a mediocrização da mobilidade urbana afeta no deslocamento dos cidadãos no espaço geográfico e no bem-estar social da população. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar, visto que conforme dados do guia “Como ter um transporte público eficiente, barato e com qualidade na sua cidade”, 41% das pessoas em municípios com mais de 250 mil habitantes se deslocam a pé para o destino escolhido.
Ademais, é fundamental apontar a carência de políticas públicas como impulsionador da questão. Nesse âmbito, de acordo com o filósofo Thomas Hobbes, essa situação configura-se como uma violação da sua teoria de “contrato social”, já que o Estado não cumpre seu dever de garantir os serviços necessários para o bem-estar dos indivíduos. Nesse sentido, observa-se uma negligência estatal na efetivação da lei de mobilidade urbana, que garante o direito de acessar a cidade de forma justa e digna, estabelece o desenvolvimento urbano e a redução das desigualdades em relação ao direito de ir e vir. Todavia, a falta de planejamento estratégico nesse setor torna a garantia desse direito muito distante. Assim, esse serviço é primordial para o progresso pleno de uma sociedade.
Dessa forma, medidas são necessárias para combater esse impasse. Para isso, cabe ao Governo, em parcerias com os municípios, realizarem a elaboração de um plano para desenvolver as malhas de transportes, por meio de verbas públicas, com o objetivo de investir em modais, como metrôs, bicicletas e ônibus, além de expandir as linhas já existentes, a fim de melhorar a mobilidade urbana no Brasil. Portanto, se consolidará uma sociedade mais abrangente, em que o Estado desempenha corretamente seu “contrato social”, tal como afirma Thomas Hobbes.