Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 13/09/2021

Durante a segunda metade do século XX, o Brasil presenciou o fenômeno da urbanização, ou seja, o aumento da proporção urbana da população em comparação com a parte rural. Nesse contexto, o crescimento no número das metrópoles foi acompanhado de diversos problemas característicos da má gestão nas grandes cidades, entre eles, uma precária mobilidade urbana caracterizada por constantes engarrafamentos. Dessa forma, o histórico favorecimento ao uso de carros em território nacional unido ao escasso investimento no transporte público e no cicloviário marcam desafios para lidar com a questão.

Em primeiro plano, vale destacar que o desenvolvimento industrial brasileiro está fortemente relacionado às fábricas automotivas estrangeiras que se instalaram no país a partir da década de 1950. Sendo assim, para proteger esse mercado, houve um forte investimento na construção de uma malha rodoviária, além de incentivos para que a população adquirisse seus automóveis. Com isso, toda a organização urbana se voltou para privilegiar o uso de carros, e deixou de lado o zelo pelos transportes alternativos. Dessa maneira, percebe-se gestores que criam facilmente ruas e viadutos, mas que ainda encontram dificuldades em criar ciclovias e faixas exclusivas para ônibus.

Outrossim, com esse investimento pífio e a falta de incentivo para os transportes públicos e os individuais de baixo impacto (como bicicletas, skates e patins), nota-se uma mobilidade urbana que sofre principalmente com a grande frota automotiva e constantes engarrafamentos. Desse modo, a falta de segurança, conforto e eficiência fazem com que a população veja esses meios como últimos recursos, e não como uma solução. Assim, mesmo sendo um direito constitucional da população desde 2015, o transporte público ainda é caracterizado pelo desconforto que causa aos passageiros, principalmente pelas frotas insuficientes, que causam superlotação, e pelos ônibus e metrôs antigos, que são inseguros e descômodos.

Isso dito, urge que o Poder Executivo nas grandes cidades -os prefeitos, vice-prefeitos e secretarias municipais- melhorem a infraestrutura referente a esses transportes alternativos. Para isso, devem direcionar verbas que permitam um aumento na frota dos transportes coletivos, além da realização de obras para a criação de ciclovias e de faixas exclusivas para ônibus. A partir disso, espera-se que a população possa usufruir de um transporte mais seguro, confortável e eficiente. Portanto, com essa qualidade adquirida, almeja-se cada vez mais diminuir a frota automotiva nessas grandes cidades, melhorando assim a questão dos engarrafamentos e do trânsito e, por conseguinte, a mobilidade urbana.