Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 20/09/2021
A constituição federal de 1988 assegura a todos os brasileiros o direito de ir e vir. Todavia, devido a péssima atuação do Estado nos mecanismos de mobilidade urbana, tal direito enfrenta barreiras devido a extensão da malha rodoviária no Brasil, que provoca engarrafamentos, poluição e aumento do estresse na população. Nesse contexto, destacam-se dois aspectos importantes: a política centralizadora acerca dos meios de transporte e a falta de planejamento durante a expansão das cidades.
Em primeiro plano, cabe ressaltar a atitude centralizadora do Estado em relação aos meios de transporte, que estabelecem a preferência do sistema rodoviário em detrimento de outros. Seguindo essa lógica, tal fato teve seu momento marcante no programa de governo do presidente Juscelino Kubistchek que priorizava a construção de estradas no brasil na tentativa de “integrar para não entregar”. Sob esse viés, essa visão concentrada no tocante aos meios de transporte refletiu na situação atual, que, segundo estudo feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2015, revelou que 61% da carga transportada no país utiliza o modal rodoviário, ao passo que somente 21% utiliza a malha ferroviária. Assim, empresas que almejam empreender em novos meios de transporte acabam não tendo o devido incentivo, visto que o governo federal opta pela primazia do sistema rodoviário, agravando o problema.
Outrossim, é perceptível a falta de planejamento durante a urbanização brasileira. Nesse prisma, o último presidente da República Velha, Washington Luís, afirmava que, “a questão social é um caso de polícia”. Desse modo, tal atitude de descaso com os anseios das classes mais baixas da sociedade contribuiu para agravar o problema de locomoção urbana, uma vez que, desamparados pelo governo, essa parcela do corpo social passou a construir moradias de forma irregular, não levando em conta fatores geográficos e estruturais, surgindo, então, ruas com sinalizações indevidas e sem uma lógica de integração com o bairro local e vizinhos.
É evidente, portanto, que tais entraves precisam ser solucionados. Logo, cabe ao Ministério da infraestrutura, em parceria com os governos estaduais, a identificação de regiões em expansão nas cidades, adotando medidas como a construção de ciclovias, faixas e estradas adjacentes, com o objetivo de unir toda a região, e, dessa forma, tornar a mobilidade urbana mais fluída. Ademais, é imprescindível que os governos locais, junto do Ministério da economia, planejem a construção de melhores vias metroviárias pela cidade, utilizando de trens Maglev(impulsionados por força magnética) para conectar pontos distantes das metrópoles, reduzindo o trânsito causado por veículos automotivos.