Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 24/09/2021
Na década de 80, a banda Legião Urbana lançou uma música intitulada “Que país é esse?”. Nessa perspectiva, Renato Russo denunciava problemas de ordem política e social. Lamentavelmente, mais de 30 anos após, tal indagação ainda se faz atual, uma vez que a mobilidade urbana vem afrentando sérios desafios, como a falta de planejamento e a superlotação de pessoas nos grandes centros urbanos.
Nesse contexto, a princípio, o filósofo Zygmunt Bauman desenvolveu o conceito de “instituições zumbis”, segundo qual as instituições mantêm sua forma na sociedade, mas não cumprem seu papel com eficácia. Tal assertiva, confirma-se diante da negligência governamental no investimento em um bom e eficaz planejamento urbano, com a inserção de melhorias no transporte público, construção de ciclovias e ciclofaixas nas cidades, fato que se agrava mediante a Proposta de Emenda Constitucional 241, em 2016, que congelou os gastos com o planejamento urbano por 20 anos. Nesse viés, sem esses investimentos muitas pessoas optam por utilizar veículos motorizados particulares, tais acontecimentos contribuem para o aumento do índice de acidentes no trânsito, engarrafamentos e poluições ambientais. Dessa forma, é certo a adoção de medidas que venham combater esse problema.
Além disso, outro fator contribui para a problemática em questão é a superlotação de pessoas nas cidades. Desse modo, consoante ao escritor Paulo Coelho, tudo o que é feito no presente afeta o futuro, por consequência. Nesse sentindo, prova disso é o aumento da densidade demográfica, haja vista que esse processo teve início na década de 1930 com a chegada de grandes industrias no Brasil milhares de cidadãos saíram da zona rural em busca de emprego. Esse cenário, por conseguinte, resultou no conceito de segregação induzida, fenômeno que ocorre quando há aumento da população em uma pequena área, o que causa aglomerações de moradias e precariedade das mesmas. Tal conjuntura, é verificada com o exemplo das favelas, na qual os indivíduos lidam com problemas de mobilidade urbana, pois vivem em aglomerados urbanos precários que estão distantes das metrópoles. Dessa maneira, a mudança desse cenário de faz necessária.
Portanto, para amenizar os desafios da mobilidade urbana no Brasil, cabe ao governo, agente que detém alto poder de intervenção, investir em um bom e eficaz planejamento urbano. Tal medida deve ser realizada por meio de verbas obtidas em impostos, como o Imposto sobre o Produto Industrializado IPI, para a inserção de ciclovias, ciclofaixas e para melhoria do transporte público, a fim de que mais pessoas optem por utilizar bicicletas e meios de transportes coletivos. Ademais, cabe ao governo, por intermédio de políticas públicas, desocupar parte dos aglomerados urbanos, com o fito de reduzir o conceito de segregação induzida. Com isso, o Brasil de distanciará do país idealizado pela banda.