Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 27/09/2021

Em Outubro de 1988 a sociedade conheceu um dos documentos mais importantes da história do Brasil: a Constituição Cidadã, cujo conteúdo determina que o direito ao transporte deve ser garantido a todos. Entretanto, a precária locomoção na áreas urbanas impede que os brasileiros usufruam desse direito constitucional. Com efeito, a desconstrução do modelo baseado no rodoviarismo, bem como a valorização da sustentabilidade são iniciativas capazes de fazer com que o problema seja tratado com a devida importância.

À vista disso, persiste no Brasil o inadequado investimento automobilístico, incentivado diariamente pelo próprio Estado. Nesse sentido, em 1956, o então presidente Juscelino Kubitscheck preferiu investir no rodoviarismo e motivou a compra de veículos, sem os quais seria impossível o deslocamento nas cidades. Ocorre que, mesmo depois de séculos, a priorização rodoviária feita por JK em detrimento das outras formas de transporte ainda produz efeitos negativos e promove o aumento descontrolado da frota de carros no país. Assim, enquanto as estradas forem a regra, a locomobilidade será a exceção.

De outra parte, a falta de políticas públicas eficientes no transporte torna ineficaz a mobilidade sustentável. Nesse viés, a Eco-92 foi a primeira Conferência das Nações Unidas sobre o meio Meio Ambiente e Desenvolvimento, no qual foi criada a Política de Sustentabilidade em torno de três conceitos: reduzir, reutilizar e reciclar. Todavia, o Brasil não tem sido capaz de colocar em prática as propostas da Eco-92, uma vez que o aumento de transportes poluidores impossibilita o bem estar da população e a harmonia da cidade com o trânsito. Dessa forma, o descaso com o meio ambiente prejudica  a efetividade da dignidade humana.

Portanto, são essenciais medidas operantes para a reversão da ineficiente mobilidade urbana no Brasil. Em primeiro, os cidadãos devem manifestar seu senso crítico, por meio de discussões nas mídias sociais, com críticas ao modelo ferroviarista e sugestões para que as autoridades desenvolvam o ferroviarismo e as hidrovias, com o intuito de desestimular a cultura da compra excessiva de carros e garantir o planjemanto do trânsito urbano. Ademais, o Estado - como maior pilar de soberania e promoção social - é responsável por destinar verbas para a formação de cidades mais sustentáveis e resilientes no âmbito de mobilidade, por intermédio da construção de ciclovias, do incentivo a caronas solidárias e promovendo o trânsito seguro de pedestres, a fim de minimizar os impactos ambientais e proporcionar melhor qualidade de vida urbana.