Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 01/10/2021
“Nunca perca a fé na humanidade, pois ela é como um oceano. Só porque existem algumas gotas de água suja nele, não quer dizer que ele esteja sujo por completo”, disse Mahatma Gandhi. Associando esse pensamento a um contexto de locomoção citadina, os impactos da mobilidade urbana funcionam como gotas de sujeira poluidoras. Nesse prisma, fatores como a falta de prioridade governamental e um pensamento banal impedem a limpeza do grande oceano chamado sociedade.
Em primeira análise, a carência de atenção por parte do órgão máximo da justiça mostra-se como um dos desafios para a resolução do problema. Segundo Thomas Hobbes, na teoria do contrato social, “o governo deve garantir o bem-estar social”, ou seja, deve proporcionar uma mobilidade urbana adequada aos cidadãos, o que não acontece na prática, visto que carece de prioridade em investir na infraestrutura de estradas e na organização de movimentação veicular nas cidades. Essa negligência estatal prejudica a quantidade e qualidade de ruas brasileiras, tendo como consequência o aumento de engarrafamentos e acidentes, pois a área urbana não suporta o crescimento do número de veículos. Por isso, é evidente que o Brasil precisa organizar o meio de convivência citadino para impedir que mais impactos prejudiquem a qualidade de vida dos brasileiro.
Em segunda análise, um raciocínio trivial sobre o uso de transporte público apresenta-se como outro fator dificultador do bem-estar civilizatório. Conforme Hannah Arendt, na teoria da banalidade do mal, “o ato preconceituoso passa a ser feito inconscientemente quando os indivíduos normalizam tal situação”, comparando com a baixa adesão do brasileiro ao transporte público em que o uso de automóveis e motocicletas é mais frequente. Nesse aspecto, a origem dessa normalização de carros e motos reside na normalização cultural que surgiu, principalmente, no governo de Juscelino Kubitschek com o avanço da modernização do Brasil e da propaganda veicular, o que somado ao baixo incentivo de uso do ônibus - preços altos - dificulta a utilização coletiva em altas quantidades. Com isso, se a mentalidade banal não for superada, o desenvolvimento da mobilidade urbana será utópico e o caos de locomoção atrapalhará o convívio em harmonia social.
Portanto, medidas são necessárias para melhorar a locomoção do território. Por conseguinte, cabe ao Ministério do Transporte realizar ações afirmativas para melhorar a mobilidade urbana, com o “slogan”: “Organiza aí!”. Esse projeto pode ser feito mediante investimentos monetários em infraestrutura de estradas — ampliação e concerto — que objetiva aprimorar a circulação de veículos, principalmente, em cidades grandes, resultando no aumento de prioridade governamental no assunto e diminua a negligência com a locomoção citadina para melhorar a convivência social.