Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 18/10/2021
50 anos em 5. Esse era o lema do governo de Juscelino Kubitschek que sintetizava o desejo de um rápido crescimento econômico. Para isso, foram muitos os investimentos na indústria automobilística e na construção de rodovias. Apesar de parecer um grande avanço no desenvolvimento do Brasil, as medidas tomadas pelo governo da época refletem, nos dias atuais, na deficiência na mobilidade urbana. Esse é um grande desafio a ser combatido, causado tanto pela negligência do Estado, quanto pela a exaltação do carro como um bem de status.
Primeiramente, é válido ressaltar que a carência de investimentos na melhoria dos transportes públicos agrava a problemática, uma vez que esses modais auxiliam na redução do tráfego por abrigarem um maior número de passageiros em um menor espaço. Nesse sentido, percebe-se que essa carência representa uma negligência dos setores governamentais, configurando-se como o fenômeno “Atitude Blasé”, caracterizado pelo sociólogo Talcott Parsons como uma ação de indiferença do Estado com seus cidadãos. Portanto, enquanto os setores governamentais não se comprometerem a melhorar ônibus e metrôs, a população será obrigada a se locomover em modais superlotados, com insegurança, precariedade e atrasos, dificultando a mobilidade .
Além disso, na modernidade, o transporte individual é hipervalorizado. Isso ocorre porque, durante o governo JK, foi divulgado e popularizado que adquirir um carro é sinônimo de luxo e poder, o que agrava o impulso consumista da população e leva a um número excedentes de veículos que trafegam nas rodovias. Segundo o filósofo Karl Marx, essa conjuntura configura-se como um “Fetichismo de Mercado”, uma vez que um simples produto tornou-se umobjeto de adoração. Consequentemente, o brasileiro alienado pelo fetichismo, prioriza a utilização do carro individual, aumentando o congestionamento e o índice de acidentes causados pelos automóveis.
Portanto, medidas são necessárias para enfrentar a mobilidade urbana. Logo, cabe ao Governo, redirecionar uma maior atenção aos transportes públicos, investindo no conforto e na acessibilidade dos passageiros, além disso, deve-se aumentar o numero de transportes em circulação, visando que os usuários não sofram com a superlotação desses veículos. A partir desses investimentos, cabe ao Governo em parceria com os meios de comunicação, criarem campanhas publicitárias que exponham as mudanças que foram feitas nos transportes, com o objetivo de estimular as pessoas a utilizarem os transportes e conter o inchaço de automóveis particulares nas ruas.