Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 21/10/2021

Desde o Iluminismo, entende-se que uma sociedade só progride quando um se mobiliza com o problema do outro. De maneira análoga a isso, os entraves advindos da mobilidade urbana crescem exponencialmente no Brasil. Nesse prisma, destacam-se dois aspectos importantes: falta de estrutura dos transportes coletivos e falta de segurança no uso de veículos alternativos.

Em primeiro plano, evidencia-se a falta de estrutura dos transportes coletivos como agravante no revés. Sob essa ótica, o filósofo inglês, Thomas Hobbes, defende em sua obra ‘‘Leviatã’’ que o Estado tem obrigação de promover meios que auxiliem o progresso comum. Todavia, esta tese não se aplica, visto que os ônibus das cidades urbanizadas apresentam déficits imensos, como por exemplo, superlotação, atrasos e precariedade dos assentos. Então, isto acarreta em uma ânsia pessoal em possuir um veículo próprio pelo cidadão, ocasionando em inchaços urbanos, uma vez que as estruturas das cidades não foram pensadas para uma crescente de veículos pessoais quando foram fundadas. Logo, tristemente, enquanto não houver uma ressignificação nesse sentido, com melhorias nos transportes oferecendo qualidade e preços justos, este fenômeno irá persistir.

Ademais, é notória a falta de segurança em veículos alternativos como coadjuvante na questão. Desse modo, de acordo com um estudo realizado pela Associação Brasileira de Medicina do Tráfego, o total de de acidentes graves com ciclistas aumentaram 30% nos cincos primeiros meses de 2021, quando comparado ao mesmo período de 2020. Assim, é evidente que a crescente de acidentes faz com que os cidadãos sintam-se inseguros em optar por essa modalidade de transporte, sendo utilizado somente por uma pequena parcela da população. Isto, faz com que os outros optem por voltar aos veículos pessoais, acarretando novamente nos entraves sociais, sendo necessária uma mudança por parte da comunidade.

Infere-se, indubitavelmente, a adoção de medidas que venham a reduzir os obstáculos da mobilidade urbana. Por conseguinte, cabe aos Estados Federativos, a aplicação de impostos destinados ao melhoramento dos transportes públicos, reduzindo gastos em problemas de menor escala e aplicando no âmbito da mobilidade urbana. Outrossim, em conjunto com os Detrans Estaduais, explicitar cartilhas aos motoristas habilitados, passando as mesmas nas principais mídias, sobre o respeito com os ciclistas, a fim de que futuramente possa se resolver os problemas advindos desses déficits. Somente assim, a sociedade terá uma redução significativa desses problemas, com a adoção parcial de ônibus de qualidade exemplar e meios de transporte alternativos, então, a tese Iluminista poderá se concretizar.