Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 22/10/2021

Em um dos episódios da série Grey´s Anatomy é retratado o parto de um recém-nascido dentro de um táxi em caminho para o hospital. Ao longo da trama, a narrativa revela que tal feito foi devido ao engarrafamento no trânsito que durou mais de uma hora, assim como a impossibilidade de espera. Fora da ficção, é fato que a realidade apresentada na série pode ser relacionada àquela do século XXI, visto que tanto a falta de estrutura das grandes cidades, quanto a desenfreada migração, são fatores que corroboram e persistem para tal cenário atual.

Em primeiro lugar, vale ressaltar que segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística(IBGE), no Brasil, na década de 70, quase que metade da população se deslocou do campo para as cidades, processo conhecido como êxodo rural. Nesse sentido, tem-se como o principal objetivo o deslocamento na procura por melhores condições de vida, sendo que grandes cidades e capitais estão concentradas as indústrias e consequentemente uma maior possibilidade de renda. Sendo assim, com a crescente migração, tem-se desencadeado o inchaço urbano, com um excesso de automóveis que é desproporcional ao espaço das cidades, impossibilitando por si só a mobilidade da população nos diferentes deslocamentos, como para o trabalho e estudos.

Em segundo lugar, é importante destacar a falta de estrutura que cidades de médio porte e capitais apresentam. Neste viés, assim como retratado na série, o excesso de veículos individuais e a insuficiência de transportes coletivos para todos como ônibus, trens e metrôs fazem com que a mobilidade urbana seja dificultada. Nesta perspectiva, segundo as ideias do filósofo contratualista John Locke, figura-se como uma violação do “contrato social”, já que o Estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos disfrutem de direitos indispensáveis, como a igualdade e a mobilidade.

Portanto, medidas são necessárias para resolver o empasse. Logo, cabe ao Governo Federal, na criação de projetos com o intuito de beneficiar tanto o bem estar do cidadão, quanto na preservação do meio ambiente. Dessa forma, é importante a duplicação do número de transportes coletivos, assim como na diminuição pela metade nos valores das passagens. Neste viés, fará com que os transportes coletivos fiquem mais confortáveis e, por consequência, possibilitará a migração de quem utiliza carro próprio, aumentando por si só a mobilidade, sem contar no benefício para o planeta com a diminuição de poluentes.